Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 06/10/2021
“Os inocentes do Leblon” é um poema do célebre autor modernista Carlos Drummond de Andrade, no qual são abordadas as negligências da população carioca frente às problemáticas sociais. De maneira análoga, nos dias atuais, o povo brasileiro mantém latente tal postura no que tange ao capacitismo no Brasil. Desse modo, a inobservância estatal é a principal causa dessa problemática, uma vez que não há adoção de medidas que mitiguem a ocorrência desses eventos, o que aumenta ainda mais os desafios para o seu combate.
Nesse cenário, a inoperância estatal corrobora com a manutenção de um cenário que hierarquiza as pessoas em função de seus corpos. Sob esse prisma, a obra do jornalista Gilberto Dimenstein, aborda a maneira, na qual, as leis, embora apresentem completude na teoria, não são eficientes na prática. Consoante às ideias do autor, observa-se que apesar da existência do Estatuto da Pessoa com Deficiência (o qual defende a promoção de igualdade para com essa população), esse não soluciona a dura realidade do país, haja vista que não há promoção de ações efetivas de inclusão, como a oferta de melhoria na acessibilidade dos locais, por meio de rampas, piso tátil direcional, texto em braile, dentre outros. Dessa maneira, chama-se atenção ao fato de que os desafios para o combate desse quadro, se dá, principalmente, pela negligência da ordem pública.
Em paralelo a isso, é fulcral pontuar que a concepção capacitista não se mantém apenas pela ausência de ações governamentais no espaço físico, mas também pela escassez do debate público sobre o assunto e pela perpetuação de falas preconceituosas. Nesse âmbito, em uma das “lives” do Ministro da Educação, Milton Ribeiro, houve a declaração de que crianças com deficiência devem estudar separadas das demais. Análogo a isso, observa-se que o Estado, que deveria buscar pela aplicação da equidade entre os indivíduos, tem promovido a hierarquização das pessoas devido a alguma caracterísitica física/intelectual, excluindo assim, os que não se adequam a algum tipo de padrão de beleza ou capacidade.
Portanto, urge que medidas sejam adotadas para que os desafios para o combate ao capacitismo sejam superados. Posto isso, é mister que o Ministério da Cidadania, juntamente às Prefeituras, analisem e modifiquem espaços públicos que não atendem às necessidades dos indivíduos com deficiência. Isso poderá ser feito por meio da construção de mecanismos que facilitem o acesso e a comunicação dessas pessoas, como rampas e aplicação de textos em braile nos espaços, com o fito de que não mais exista a “cidadania de papel”.