Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 07/10/2021

Permeada pelo preconceito, a sociedade continuamente limita e invalida pessoas com deficiência, distanciando cada indivíduo do direito de desfrutar de uma vida usual. Tal discriminação tem peso histórico, uma vez que, antes do século XX, pessoas com deficiência encontravam-se isoladas do resto da sociedade ou servindo de entretenimento em espetáculos; época a qual deixa suas marcas ainda no século XXI, pois, mesmo que de forma menos explícita, a PCD (pessoa com deficiência) é excluída e diminuída no meio social. Ademais, a desinformação é um fator crucial para a não mudança dessa realidade e, consequentemente, para a a extensão do sofrimento de milhares de indivíduos.

Artista, professora e ativista dos direitos humanos, Rita Von Hunty descreve “deficiência” como algo não pertencente à pessoa, mas sim à sociedade, partindo do princípio de que nenhum corpo é imperfeito, a assessibilidade é que não está ali para todos. Considerando o pensamento de Rita, é possível notar transparentemente a exclusão de corpos com deficiência quando há a escassez de recursos como: rampas e portas alargadas para cadeirantes, legendas e descrições para surdos ou deficientes auditivos, material em braille para deficientes visuais, prateleiras alcancáveis para todos e até mesmo vagas de emprego mais amplas. Tendo tais questões em conta, torna-se indubitável que a luta pela inclusão da PCD é veementemente válida.

Analogamente, a psicologia explica que a subjetividade é a forma que cada ser tem de pensar, agir e viver; singularidade a qual jamais deve ser restringida. Contudo, a arcaica desinformação alastrada acerca dos estigmas sobre o indivíduo com deficiência é um aspecto que faz a intolerância crescer, visto que, por essa ignorância, grande parte da sociedade tenta impor a forma a qual cada pessoa com deficiência deve experimentar a vida, limitando suas vivências afetivas, sexuais, acadêmicas e sociais e questionando suas capacidades dentro de cada uma delas. Ou seja, o brasileiro carece de conhecimentos sobre este assunto para se despir de preconceitos e lutar por uma maior qualidade de vida para pessoas com deficiência.

Nota-se, portanto, que a exclusão da PCD de maneira histórica e o desconhecimento dificultam o combate ao capacitismo no Brasil. Portanto, é papel do Estado investir com mais intensidade, por meio de verbas governamentais, na assessibilidade para a inclusão de todos os indivíduos. Ademais, é igualmente necessário que o Ministério da Educação promova, através dos meios de comunicação, campanhas que ajudem a combater a discriminação de pessoas com deficiência. Só assim essa problemática poderá ser resolvida.