Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Frida Kahlo, nascida no México, foi uma grande pintora conhecida, principalmente, por seus autorretratos. A artista, embora hoje aclamada mundialmente, foi vítima de bullying na infância por sua deficiência na perna direita. Analogamente à história de Frida, vê-se que, no Brasil, as pessoas com deficiência (PcD) ainda são vítimas de preconceito e discriminação, o que demonstra a dificuldade do país em combater o capacitismo. Nessa perspectiva, é mister analisar a desinformação como o principal catalizador dessa celeuma, bem como os impactos acarretados ao bem-estar social.
É fulcral pontuar, a princípio, que a massificação de pré-noções subvertidas em torno das pessoas com deficiência tende a distorcer a percepção coletiva sobre a problemática. A esse respeito, é pertinente aludir ao pensamento do teórico Gilberto Dimenstein, cuja ideia denota a informação precisa como preponderante para o indivíduo agir de forma coerente no âmbito coletivo. Entretanto, a sociedade capacitista vai de encontro à perspectiva do autor, à medida que compreende os deficientes sob a ótica do preconceito. Diante disso, observa-se o estigma perverso, por exemplo, em discurso falaciosos, os quais associam as pessoas com deficiência a seres inferiores e incapazes de realizar ações comuns do cotidiano. Nessa conjuntura, verifica-se a necessidade de mudança do imaginário coletivo.
Outrossim, é premente evidenciar o cenário supracitado como nocivo para a harmonia social. Dessa forma, Émile Durkheim, sociólogo francês, compreende a sociedade enquanto um organismo vivo, no qual a integridade do conjunto depende do bom funcionamento das partes. Analogamente à premissa durkheimiana, depreende-se que a recorrência do capacitismo tende a fomentar um corpo coletivo enfermo, haja vista a marginalização da parcela da população com deficiência, a qual tem seu acesso ao lazer, à cultura e ao trabalho limitado. Prova disso, hodiernamente, é o baixo número desses indivíduos empregados, os quais ocupam apenas 1% dos empregos formais, conforme pesquisas divulgadas pela revista Veja. Nessa conjuntura, é imprescindível uma transfiguração dessa realidade.
Torna-se evidente, portanto, que informação é mister para mitigar o avanço do impasse. Dado o exposto, é necessário que a Secretaria Especial de Cultura promova a produção de “trilles” que abordem a construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva. Esses vídeos, de até 30 segundos, serão produzidos e protagonizados por “youtubers” e influenciadores digitais deficientes, os quais irão encenar -de forma crítica- situações cotidianas que expressem os prejuízos causados pelo capacitismo. Assim, uma mudança de mentalidade social positiva será promovida, combatendo a problemática.