Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 09/10/2021

O capacitismo, conforme informa a Organização das Nações Unidas (ONU), é uma forma de discriminação que afeta pessoas com deficiência e condições mentais diversas, como autismo, hiperatividade etc. No Brasil, esse preconceito poderá se refletir nos mais amplos aspectos da sociedade, desde ofensas no cotidiano, à privação de direitos básicos. Logo, o necessário combate ao capacitismo enfrenta dois desafios principais: a lógica do lucro e a cultura vigente.

Primordialmente, convém mencionar a obra de Frantz Fanon, filósofo e político oriundo das Antilhas, a qual abrange diversas questões relacionadas à discriminação de pessoas consideradas “anormais”. Entre outras conjecturas, Fanon afirma que, em meio a uma sociedade capitalista, ocorre o crescimento de uma lógica que valoriza o lucro, acima do bem-estar. Isto é, um determinado indivíduo será forçado a seguir um padrão que o adeque à produtividade demandada, ou sofrerá represas em seus direitos fundamentais. Logo, uma pessoa que apresente alguma deficiência, seja ela física, ou mental, será excluída do mercado de trabalho e impedida de contribuir com a cidadania. Além disso, tais pessoas são, ainda de acordo com Fanon, forçadas a esconder partes de si mesmas, contra as quais é impossível resistir. Essa linha de pensamento cria uma condição opressiva para os deficientes.

Adicionalmente, cabe aludir ao que diz Friedrich Engels, pensador alemão que, junto a Karl Marx, escreveu o livro “Manifesto do Partido Comunista”. Consoante Engels, a classe dominante não é apenas responsável pelo controle dos meios de produção, mas também, pela influência sobre os valores espirituais e ideológicos dos oprimidos. Em outras palavras, para justificar a lógica do lucro, que segrega pessoas com deficiência, cria-se uma narrativa segundo a qual tais indivíduos são inferiores e incapazes. A partir do desenvolvimento dessa mentalidade, a discriminação penetra os valores de cada cidadão, de maneira que passam a proferir insultos contra neurodivergentes e deficientes. Então, tais comentários podem gerar problemas de autoestima e desconforto, pelo que precisam ser combatidos.

Em conclusão, é necessário que a Câmara dos Deputados enfrente a discriminação nos ambientes de trabalho. Isso pode ser feito por meio da aprovação de um Projeto de Lei que proíba a tomada da deficiência como um critério de não aceitação, ou seja, que permita que pessoas deficientes sejam contratadas sem diferenciação. Tal medida visaria a luta contra o capacitismo no âmbito profissional, abrindo espaço para os deficientes. Ademais, é essencial que o Governo Federal combata a enraização desse preconceito na cultura. Isso pode ser realizado por intermédio da promoção de palestras, a nível nacional, ministradas por pessoas que sofrem com a segregação, acerca da dor que vivem diariamente. Logo, pouco a pouco, seria erradicado o capacitismo e superada a lógica do lucro.