Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 16/10/2021
Desde o período da Antiguidade Clássica, o deficiente é visto como um indivíduo limitado e incapaz. Em Esparta, por exemplo, as crianças que nascessem com algum tipo de imperfeição eram jogadas de penhascos, pois acreditava-se que elas seriam inúteis a uma pólis militarista. Atualmente, em função de uma formação educacional ineficaz, a sociedade persiste enxergando os portadores de necessidades especiais de maneira depreciativa, um tipo de discriminação chamada de capacitismo, que promove o isolamento dos cidadãos deficientes.
Em primeiro plano, a principal causa do problema apresentado é a ausência de abordagem específica do assunto durante a formação escolar, que deveria incutir nos indivíduos, desde cedo, a reflexão acerca dos variados tipos de preconceito, pois no âmbito educacional não reside apenas o ensino das disciplinas tradicionais, mas também uma rede de proteção social que deveria ser utilizada como instrumento de combate aos valores deturpados e excludentes dos cidadãos.
Além disso, o isolamento dos deficientes surge como consequência dessa conduta equivocada e agrega cada vez mais desafios à lista de obstáculos já enfrentados por essas pessoas. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope, 69% dos deficientes entrevistados relataram enfrentar discriminação no Brasil. Por isso, é inadmissível que um número impactante de brasileiros continue sofrendo com o comportamento preconceituoso da sociedade.
Nesse sentido, o Ministério da Educação deveria incluir no ensino das escolas uma disciplina complementar que tratasse sobre o preconceito, por meio da qual os professores abordariam o capacitismo como um dos pilares e também evidenciariam a melhor forma de combatê-lo a fim de formar cidadãos mais empáticos e inclusivos. Ademais, os professores responsáveis por lecionar sobre o tema deveriam ser obrigatoriamente portadores de alguma deficiência e reproduziriam, assim, suas visões de mundo e a maneira como o deficiente espera que a sociedade o acolha e respeite. Dessa forma, o Brasil entenderá que todos têm direitos iguais, apesar de suas diferenças.