Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2021
A obra cinematográfica “Aleijadinho paixão e glória” retrata a realidade de um artista que, por ser deficiente físico, tem suas obras marginalizadas. Com essa abordagem, o filme revela os entraves e estigmas enfrentados pelos portadores de necessidades especiais. Hodiernamente, em consonância com a ficção, muitos brasileiros enfrentam situações semelhantes, o que contribui para o surgimento de doenças mentais e aumento da estigmatização dessas pessoas na esfera social. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental e falta de informação essas consequências se agravam.
Com efeito, a indiferença do Estado, no que tange ao capacitismo, é um dos fatores que fazem com que essa prática se perpetue. Nessa prerrogativa, a falta de políticas públicas, voltadas para instrução cidadã sobre a importância de tratar os portadores de necessidades especiais de forma inclusiva, contribui para precariedade desse setor e aumento da evasão dessas pessoas em ambientes públicos, devido ao surgimento do sentimento de inferioridade e falta de auxílio. Dessa forma, a segregação social só tende a crescer. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar que todos são iguais perante à lei, esse conceito vigora de forma inéficaz, visto que pela falta de ivestimentos estatais os deficientes são vistos como incapazes. Isso posto, é cabível uma mudança de postura.
Nota-se, outrossim, que a falta de informação é influente na constância desse dilema. Nesse aspecto, devido à carência de instrução social sobre a discriminação de deficientes, há a relativização das consequências de uma sociedade capacitista. Por conseguinte, de acordo com a revista “Veja” 40% dos brasileiros não sabe o que é capacitismo, a pesquisa evidencia que um dos hábitos mais recorrentes é o tratamento direcionado aos cuidadores, em detrimento dos deficientes. Dessa forma, há a descredibilização e ausência de autonomia desses indivíduos, tendo em vista o fato dos portadores de necessidades especiais serem vistos como incapazes de responderem por si mesmos. Logo, a falta de conhecimento sobre atos recorrentes na esfera social concorda com a abordagem feita por Saramargo, quando afirma que a população, por não ter acesso ao conhecimento, comete atos preconceituosos.
Portanto, vistos os fatos que contribuem para a manutenção do capacitismo, é mister uma ação estatal e midiática. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve criar políticas educacionais voltadas para o combate de atos preconceituosos na esfera social, por meio do investimento de verbas nessa área. Para tal, faz necessária a inclusão de deficientes no meio dos demais alunos, com o objetivo de romper com o preconceito e apregoar o conceito de igualdade. Ademais, cabe ao Ministério das comunicações alertar a população para os atos de descredibilização de deficientes, com o intuito de tornar essas pessoas mais autônomas. Isso feito, a realidade de Aleijadinho só figurará na TV.