Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2021
O filme francês “Os Intocáveis” conta a história de um milionário tetraplégico que contrata um senegalês para o auxiliar nas suas atividades cotidianas. De modo lastimável, enquanto na trama a relação dos dois é baseada na empatia, no Brasil predomina-se o capacitismo. Nesse contexto, apesar do Artigo 5° da Constituição garantir a isonomia e igualdade à todos os cidadãos, o combate ao preconceito contra pessoas com deficiência é dificultado pela desinformação e pela negligência estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que, entre os obstáculos para mitigar o capacitismo, está a falta de informação sobre o tema. De acordo com filósofo Immanuel Kant,o homem é fruto da educação que ele recebe. Sob essa ótica, o indivíduo preconceituoso advém da ausência de uma educação tolerante e inclusiva no Brasil. Isso porque, nas escolas brasileiras, não se discute as diferentes formas de deficiência e as necessidades especiais daqueles que as possuem. Nesse cenário, cria-se estigmas que caracterizam essas pessoas como incapazes, doentes e frágeis. Por conseguinte, ocorre a exclusão das pessoas com deficiência da sociedade brasileira, pois a desinformação origina o capacitismo.
Ademais, vale salientar que a ausência de instrução sobre o tema é consequência da postura omissa do governo. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre os Espaços Públicos, as intituições públicas — incluindo as educacionais — devem ser inclusivas a todo o corpo social. Nesse viés, essas instituições precisam ser preparadas para garantir a inserção das pessoas com deficiência, seja acolhendo-os, seja ensinando sobre o tema aqueles que não possuem alguma deficiência. Dessa forma, a postura negligente do Estado contribui com a formação de preconceitos contra esses indivíduos portadores de necessidades especiais, o que vai de encontro com a Magna Carta.
Dessarte, para diminuir a desinformação sobre o tema e, com isso, minimizar o capacitismo, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma proposta de lei, crie um projeto de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Em síntese, o Estado deve promover, nas escolas, eventos com gincanas que estimulem a união entre as pessoas que possuem deficiência e as que não possuem. Além disso, o projeto deve oferecer palestras sobre o tema, a fim de debater o capacitismo. Feito isso, as instituições públicas se tornarão mais inclusivas e amizades como a do filme “Os Intocáveis”, mais recorrentes.