Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 08/11/2021

Durante os movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência da década de 1980 nos Estados Unidos popularizou-se o termo capacitismo, o qual é definido com uma atitude preconceituosa que hierarquiza as pessoas em função da adequação de seus corpos a um ideal de corponormatividade que considera determinados corpos como inferiores, incompletos ou passíveis de reparação. Dentre os fatores relacionados a esse infortúnio destacam-se o contexto histórico social e a falta de representatividade adequada.

Sobre o assunto, torna-se válido perceber a visão social que caracterizou as pessoas com deficiência desde a antiguidade a séculos mais recentes. Nesse sentido, nas civilizações gregas da antiguidade, como Esparta, as crianças nascidas com alguma deficiência eram lançadas de um precipício. Com o passar dos séculos a realidade desse grupo ainda permaneceu bastante desafiadora ao convívio em sociedade, como no século XIX, no qual pessoas com necessidades especiais eram usadas nos chamados “freak shows”, isto é, show de aberrações, como entretenimento para fazer os outros rirem delas. Desse modo, combater essa herança social de estigma é primordial para a resolução da temática.

Além disso, a falta de uma adequada representação desse grupo interfere na intervenção do capacitismo. Nessa lógica, cabe trazer a reflexão sobre o filme “Convenção das Bruxas” lançado pela Worner que apresenta as bruxas, seres maléficos da obra, com má formação nos pés e nas mãos, o que se assemelha à ectrodactilia, uma síndrome congênita que causa a ausência dos dedos. Sob essa ótica, percebe-se a importância de as deficiências serem normalizadas e representadas de uma forma positiva, no lugar de associadas a algo assustador, malvado ou que reforcem a ideia de incapacidade.

Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes ao combate ao capacitismo no Brasil. Logo, concerne as empresas midiáticas o papel de desmistificar o preconceito relacionado ao capacitismo, por meio de inclusão de personagens com deficiências físicas, cognitivas ou mentais em séries de TV,  publicidade ou telenovelas que sejam retratadas como um estado positivo, no intuito de negar a ideia de corponormatividade e hierarquização dos corpos. Ademais, concerne ao Poder Legislativo a criação de leis que definam uma maior porcentagem para contratação de deficientes por empresas públicas e privada, a fim de dar mais espaço de atuação para esse público, podendo esses, então, alterar a visão da sociedade de incapacidade dos deficientes. Dessa maneira, poder garantir uma plena cidadania livre de estigmas dessa parcela da população que muito sofreu no passado pela obtenção de seus direitos.