Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 10/11/2021
A série estadunidense “Atypicall” conta a história do jovem Sam, o qual possui autismo e, com o auxílio de uma família que o encoraja e luta pela sua inclusão na sociedade, vive uma vida dentro das expectativas de qualquer adolescente de sua idade no que diz respeito ao acesso aos estudos, emprego e diversões. No entanto, fora da ficção, a sociedade está longe de desconstruir completamente o capacitismo e garantir a inclusão das pessoas com deficiência (PCD) no Brasil só é possível mediante o acesso à educação. Logo, cabe ao Estado mobilizar projetos que busquem educar a população para a construção de uma sociedade menos capacitista.
Nesse sentido, conforme acreditava o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade prevalece sobre o indivíduo já que, desde o seu nascimento, esse precisa adaptar-se às normas já criadas no meio em que vive. Nesse viés, a forma mais eficiente de combater o capacitismo é por meio da educação de crianças e adolescentes nas escolas, haja vista que é na escola o primeiro contato do indivíduo com a sociedade. Por isso, a luta contra o capacitismo deve ser iniciada desde a primeira infância, por intermédio de escolas que proporcionem um ambiente de aprendizagem mais inclusivo, o qual permita o convívio e formação de crianças PCDs juntamente com crianças não portadoras de deficiência.
Ademais, de acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, o capacitismo é um crime sujeito a multa e reclusão, por tratar-se da discriminação contra a capacidade e a aptidão de pessoas deficientes. Entretanto, apesar do respaldo da lei, pouco ainda é feito por parte do Estado para conceder uma mudança na mentalidade da população e, assim, garantir a inclusão social das pessoas deficiêntes. Desse modo, o uso dos recursos digitais deve ser um aliado do Estado na propagação da ideia de que a diversidade não é uma limitação e, por isso, propagar que o combate ao capacitismo é muito importante.
Em suma, o maior desafio na luta contra o capacitismo no Brasil é na entrega de informações que desconstruam a população quanto ao preconceito contra PCDs. Sendo assim, é necessário que o Ministério dos Direitos Humanos elabore um projeto, que pode ser chamado de “Ser Diferente não me Limita”, o qual produzirá pequenos documentários divulgados nas redes sociais, os quais mostrarão histórias reais de conquistas pessoais e profissionais de PCDs, as quais não se deixaram limitar pelo julgamento capacitista, a fim de mostrar à sociedade que ninguém deve ser rotulado por suas características. Além disso, uma parceria do projeto com o Ministério da Educação pode levar esses documentários, seguidos de materiais didáticos sobre pluralidade de corpos às escolas de ensino fundamental e médio, com o intuito de formar adultos livres de ideias capacitistas.