Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O filme norte-americano “Fuja” conta a relação conturbada entre uma mãe e sua filha cadeirante. Uma circunstância que chamou atenção do público nessa obra, trata-se da personagem deficiente ser interpretada por uma atriz na mesma condição. Tal espanto pode ser atribuído ao fato de que, geralmente, pessoas corponormativas ocupam esse lugar. A partir disso, ao considerar a perpertuação do capacitismo no mundo, vê-se que a introdução de pessoas com deficiências em todos os espaços socioculturais é de extrema importância para combater esse mal.
A priori, é relevante tentar entender a razão pela qual a discriminação contra essa comunidade permanece como um problema estrutural. Nesse escopo, o antropólogo Lévi-Strauss afirma que os grupos sociais, nas mais diversas civilizações, tendem a julgar os outros sob uma óptica etnocêntrica. Dessa forma, como a sociedade se estruturou em padrões funcionais hegemônicos, as pessoas com deficiência foram postas à margem em diversas esferas sociais. Logo, a continuidade dessa violência apresenta-se como um obstáculo difícil a ser superado na busca por uma nação mais justa, haja vista sua normalização na coletividade.
Em face disso, é importante observar, no contexto nacional, que o combate ao capacitismo ainda é um desafio. Para ilustrar, destaca-se a política segregacionista imposta pelo Governo Federal, no ano de 2020, no que a tange a extinção da presença de crianças deficiente nas escolas regulares. Diante desse cenário, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) afirma que tal medida é um retrocesso na busca por inclusão desses cidadãos e, por isso, deve ser reprovada. Sendo assim, constata-se que, mesmo que essa violência esteja enraizada em alguns grupos de poder, é necessário combatê-la na busca por uma sociedade mais justa.
A partir do exposto, verifica-se que a luta contra o capacitismo ainda se faz necessária na contemporaniedade. Desse modo, com o objetivo de promover a inclusão das pessoas deficientes e, assim, diminuir o preconceito contra elas nos espaços sociais, é dever do Ministério da Cidadania e o da Educação, garantir que esse grupo seja, efetivamente, parte integrante do corpo social. Para tanto, esses orgãos devem, por meio das escolas, as quais são ambientes poderosos de socialização e integração interpessoal, manter juntos os alunos com deficiência no ensino regular por meios de políticas públicas. Nesse sentido, a adequação das instituições de ensino em termos de acessibilidade, como adequar prédios e contratar intérpretes de LIBRAS, são fundamentais nessa empreitada. Dessa forma, a convivência com a pluralidade no meio escolar fará que cidadãos mais atentos as necessidades alheias sejam formados, contribuindo para solucionar a questão do capacitismo no país.