Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 12/11/2021

Na Antiguidade Clássica, os deficientes eram considerados inferiores aos demais, frutos de um castigo divino, e muitos deles eram assassinados por serem vistos como seres socialmente inúteis. Sob essa perspectiva, a discriminação com essa minoria perdura até os dias atuais no Brasil, no qual essa situação de exclusão social em que esses indivíduos se encontram se mostra um árduo problema: a existência do capacitismo. Desse modo, o preconceito enraizado e a negligência estatal são fatores intrinsecamente atrelados a este deplorável cenário nacional.

Em primeiro plano, a maldade humana é a principal causa da marginalização dos deficientes. Segundo a expoente filósofa alemã Hannah Arendt, a pluralidade é inerente à condição humana, no entanto, essa ideia não se mostra uma realidade no Brasil, tendo em vista que os permanentes olhares preconceituosos, a rejeição e a invisibilidade fazem parte do cotidiano das PCDs. Sob essa ótica, adultos com deficiência enfrentam diariamente o estereótipo da infantilização, no qual quando fazem alguma atividade diferenciada – considerada complexa para crianças - recebem congratulações e elogios desnecessários que os colocam em posição de inferioridade e automaticamente rebaixam suas idades mentais. Esse fato enfatiza que o pensamento de Arendt se mostra cada vez mais uma utopia no país.

Além disso, o Estado omisso contribui diretamente para a permanência da exclusão da população com necessidades especiais (PNE). Neste aspecto, em 2015, foi promulgado o Estatuto da Pessoa com Deficiência que garante a isonomia social e a qualidade educacional para este grupo, todavia, na prática, esse direito se encontra apenas no papel. Dessa forma, o preconceito se inicia na infância, pois a maioria da população não conviveu com deficientes no ambiente escolar, pois ao invés de integrá-los à sociedade desde sempre, o governo prefere manter esses indivíduos segregados, muitas vezes em escolas especializadas. Este fato contribui para que a população em geral chegue à fase adulta sem a interação direta com as PCDs e, então, se torne suscetível a praticar o capacitismo.

Portanto, o conjunto desses fatores evidencia a necessidade de uma mudança no comportamento preconceituoso e excludente no que tange ao tratamento diário de brasileiros deficientes. Nesse sentido, é mister que o governo de esfera federal, através do Ministério da Educação, promova a inclusão dessa minoria nas escolas gerais do país - com a disposição de especialistas para auxiliar no ensino em casos de cuidados especiais e a instalação de uma infraestrutura adequada para pessoas com limitações físicas. Dessa forma, ao invés de segregá-los, o intuito é fomentar uma convivência plural desde cedo e tornar comum e natural a interação da população com e sem deficiência.