Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 17/11/2021

No filme “Luca”, a personagem Massimo Marcovaldo, que nasceu sem o braço direito, conta sobre a história de sua deficiência de forma natural para Luca e Alberto e é visto pelo povo da sua cidade muito além da sua deficiência. Diferente da ficção, a maioria das pessoas ainda possuem um ponto de vista errado sobre os deficientes: acreditam que esses individuos são limitados a sua condição. Dessa forma, o combate ao capacitismo no Brasil apresenta vários desafios sendo marcado, principalmente, pela visão preconceituosa e pela dificuldade na inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

Em primeiro lugar, a existência de uma interpretação estigmatizada do deficiente colabora com os obstáculos na resolução da problemática. No início da idade média, os deficientes físicos e mentais eram frequentemente vistos como possuídos pelo demônio e eram queimados como as bruxas. Desse modo, apesar desse tipo de desumanidade não acontecer mais, ainda persiste a visão de incapacidade direcionada a esses indivíduos. O deficiente é visto como alguém que não possui autonomia, assim, não poderia trabalhar, estudar e ter um relacionamento amoroso, então, sendo incapaz de ter uma vida “normal” uma vez que possui limitações. Dessa maneira, esse pensamento contribui para a exclusão dessa população na sociedade brasileira.

Além disso, a ausência de uma inclusão e acessibilidade efetiva é outro fator para a permanência do capacitismo no país. Dessa maneira, na Constituição Federal é garantido o direito à igualdade civil independente de distinção e assegura o direito de ir e vir dos cidadãos. Contudo a realidade é bem distante do que prevê a lei, sobretudo, em relação à inclusão dos deficientes. Sendo assim, as cidades são criadas sem considerar a existência das pessoas com deficiência, pois a sociedade acredita que todos possuem limitações iguais e o Estado não prioriza as especificidades das pessoas. Assim, essa ideia afeta de forma direta na acessibilidade, tanto na mobilidade urbana quanto no ensino,  por exemplo na falta de calçadas adaptadas com rampas e guias e também na ausência de professores capacitados para o ensino de LIBRAS nas escolas e universidades. Desse modo, o acesso limitado a direitos básicos, como mobilidade e educação reforça a carência de uma política pública efetiva para a inserção desses indivíduos no corpo social.

Fica evidente, portanto, que é de suma importância a resolução desse panorama para garantir os direitos e qualidade de vida para esses indivíduos. Desse modo, o Governo Federal, deve investir em propagandas que conscientize a população sobre os malefícios do preconceito direcionados ao deficiente e a importância da inclusão por meio da TV, internet e outdoor. Dessa forma, essa parcela da população será assistida de forma efetiva e, assim, será vista muito além dos seus limites.