Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 17/11/2021

A Constituição Federativa de 1988, norma jurídica de maior hierarquia no Brasil, prevê o direito à digni-dade e igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, na contemporaneidade, apesar des-sa garantia judicial, tal preceito não se reflete, efetivamente, no cotidiano nacional quando se observa os desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil. À luz desse enfoque, é essencial ana-lisar que essa perversa realidade tem gênese na carência de vizibilidade dada aos deficientes pela mídia e na inoperância estatal. Logo, urgem medidas informacionais para reverter esse grave quadro.

Diante desse cenário deletério, é imprescindível apontar a desigualdade da voz como catalisadora do capacitismo no espectro brasileiro. Acerca dessa premissa, os sociólogos de Frankfurt, como Adorno e Horkheimer, afirmavam que as visões sociais do que a classe dominante e a indústria de massa consi-deram aceitáveis são propagadas por mensagens da mídia, ou seja, os meios de comunicação, que de-veriam ser ferramentas de democracia, foram convertidos em mecanismos de opressão. Sob essa lógi-ca, é indubitável que as redes informacionais segregam os deficientes, dado que a carência de voz dada a eles culmina na inferiorização deles pela sociedade, o que gera frutos como a hierarquização de pes-soas em função da adequação de seus corpos a um padrão de beleza e capacidade funcional. Isso pos-to, depreende-se a chaga social que a mídia se tornou, pois, enquanto ela não criar caminhos para com-bater essa categorização, há de se perdurar a existência de uma sociedade míope e egoísta.

Além dessa mácula midiática, também é preocupante a indiligência governamental no tangente às ín-fimas medidas para combater, de maneira prioritária, o capacitismo. Isso é perceptível pelas postagens do atual ministro da educação no Twitter, o qual afirmou que crianças com deficiência atrapalham o de-senvolvimento de outras pessoas dessa faixa etária. Nesse sentido, essa conjuntura, conforme a máxi-ma do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, faz com que o Estado se configure como uma instituição “zumbi”, isto é, uma corporação que viola sua incumbência de garantir que os cidadãos brasileiros des-frutem de direitos indispensáveis previstos na Constituição Cidadã, como dignidade e igualdade. À vista disso, infere-se que a ineficiente máquina estatal opera como uma organização “zumbi” ao colocar pes-soas preconceituosas no poder e cerceiar os deficientes a um cenário de desamparo e segregação.

Dessarte, a má influência da mídia e a omissão estatal precisam ter os alicerces de suas fundações desfeitos. Assim, cabe ao Estado fazer campanhas informacionais, por meio de parcerias com os meios de comunicação — a exemplo de telejornais e redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram —, a fim de combater o capacitismo na sociedade vigente. Espera-se, com efeito, que as pessoas deficientes tenham sua realidade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.