Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Em um dos episódios de Glee, série norte-americana ambientada em uma escola secundária, o coral do colégio precisa vender doces para financiar sua ida à competição interestadual, com um ônibus especial - Artie, um dos integrantes do grupo, era cadeirante e demandava transportes com condições específicas. No entanto, ao se depararem com dificuldades, a equipe sugere que o colega peça para seu pai o levar e, assim, seja excluído dessa esfera social. Apesar de o cenário ser fictício, tal conjuntura não é rara no Brasil - a apartação de deficientes é uma realidade constante no país, sendo influenciada por raízes históricas e continuada pela falta de assistência dos responsáveis, seja nos meios sociais, seja na infraestrutura ineficaz do território.
Sob o mesmo ponto de vista, a exclusão e o capacitismo contra pessoas com deficiências físicas, auditivas, visuais ou mentais sempre se fez presente, desde os tempos mais remotos. Tal cenário encontra-se muito enraizado no mundo como um todo, com seus primórdios na Antiguidade - a cidade-estado de Esparta, na Magna Grécia, tinha como principal característica sua militarização e, para realizá-la de forma eficiente, indivíduos ainda bebês que apresentassem qualquer tipo de irregularidade física ou mental eram sacrificados pela sua família. Ainda que mais discreta, tal prática foi mantida de forma até mesmo inconsciente na constituição das sociedades atuais, como se pode relacionar com o nazifacismo predominante no século XX e o genocídio de milhares de deficientes.
Ademais, a invalidez com a qual esses sujeitos são tratados varia desde expressões cotidianas até meios físicos e barreiras sociais, como a questão de acessibilidade e participação ativa no meio coletivo. Ao aludir ao corpo social, é possível notar como essas vertentes estão conectadas, uma vez que o indivíduo sofre diariamente com intolerância, e precisa, muitas vezes, de certas condições para exercer suas atividades em sociedade, de acordo com suas demandas - rampas, linguagem em braille, libras, e maior inclusão escolar, por exemplo. Contudo, esses recursos muitas vezes não possuem investimentos e, assim, essa parcela do coletivo é suprimida.
Dessa forma, torna-se evidente a questão do capacitismo no Brasil e sua necessidade de reversão para uma sociedade mais justa e acolhedora. Assim, cabe ao governo, em seus Ministérios de Desenvolvimento Regional e da Educação, a criação de políticas mais inclusivas à parcela da população com necessidades especiais, através da melhoria da infraestrutura das cidades, escolas e espaços públicos, e melhores campanhas de conscientização dos cidadãos, de forma a educá-los acerca do tema, por intermédio dos meios de comunicação. Assim, um meio social mais justo e menos exclusivo será concebido para todos.