Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 23/01/2022

No quadro “O grito” (1893) do pintor Edvard Munch, vê-se no plano central uma figura humana em desespero, enquanto ao fundo da tela outros personagens mostram-se indiferentes. Todavia, essa ausência de preocupação com os problemas alheios não se limita à arte expressionista, já que, na realidade, as vítimas do capacitismo vivem algo parecido. Nesse prisma, cabe analisar esse preconceito como elemento de exclusão escolar e profissional no país.

De antemão, compreende-se que há falhas na identificação do que causa o capacitismo. Evidencia-se isso na tendência de se observar, apenas, a falta de interesse de alguns pais em matricularem, em uma escola regular, seu filho deficiente auditivo, por exemplo, como elemento determinante da problemática, em detrimento de outros fatores, como a ausência de intérpretes durante as aulas, algo que dificulta a permanência do aluno na instituição de ensino. Dessa forma, nota-se a deturpação do método cartesiano – conceito da filosofia de René Descartes –, o qual sinaliza o entendimento de um quadro, como um todo, sendo resultado da análise das partes.

Além disso, enfatiza-se que o capacitismo é fruto dos valores consolidados no meio social. Sabe-se, pois, que historicamente, o trabalhador com deficiência vem sendo marginalizado, o que se explica a partir da crença, repassada culturalmente, de que eles são improdutivos, desconsiderando, contudo, a formação profissional deles. Esse quadro pode ser explicado através dos estudos filosóficos de Friedrich Nietzsche, visto que, segundo ele, devido ao acesso reduzido a informações as pessoas acabam tendo visões limitadas acerca da realidade.

Convém, portanto, ressaltar que o capacitismo deve ser superado. Logo, é preciso exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos pais sobre a importância de matricular crianças e jovens deficientes em escolas, como também a cobrança das instituições de ensino para a contratação de intérpretes, objetivando garantir o direito à educação. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas realizadas por ONGs, a respeito de se reconhecer os esteriótipos existentes acerca da capacidade profissional dos deficientes, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que eles não são produtivos. Desse modo, a ausência de preocupação com os problemas alheios ficaria restrita à obra de Edvard Munch.