Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/04/2022

O filme “Extraordinário” relata a vida de uma criança que nasceu com deformidades no rosto e, por isso, precisou passar por diversar cirurgias ao longo da vida. Neste sentido, a sua aparência se tornou motivo para que a sociedade o julgasse como incapaz de realizar qualquer tarefa. Entretanto, situações como a do personagem não são fictícias e devem ser encaradas como capacitismo. Logo, analisar problemas, como a falta de debates sobre o tema e de punição é preciso.

Em primeiro plano, vale destacar a ausência de discussões sobre o capacitismo. Em sua maioria, a população desconhece o termo, visto que não é abordado nas escolas, televisão ou, até, redes sociais. Desse modo, o pré julgamento popular sobre a pessoa com necessidades especiais se torna habitual e, geralmente, preconceituoso. Tal situação é evidenciada pelo filme “Crip Camp”, no qual jovens com condições especiais diversas se reúnem em um acampamento, nos anos 60, e se descobrem como pessoas, já que a comunidade os enxergava como inaptos, a ponto de montarem uma passeata nacional em prol dos seus direitos.

Em segundo lugar, a impunidade deve ser evidenciada. Apesar do Estatuto da Pessoa com Deficiência abordar punição de 1 a 3 anos de detenção para a pessoa que induzir, praticar ou incitar discriminação contra a pessoa com deficiência percebe-se que a sua efetividade é rara. Dessa maneira, o criminoso não se vê acoado perante tal lei e pratica atos preconceituosos sem medo de uma punição efetiva e exemplar.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de debater sobre o capacitismo no Brasil e mostrar que a ficção tem mostrado a realidade. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com a Associação Médica Brasileira, deve elaborar uma campanha nacional de debates nas escolas sobre o capacitismo. Tal discussão ocorrerá por intermédio de pesquisas para aulas interdisciplinares, palestras com médicos, psicólogos e enfermeiros, documentários e filmes, a fim de fomentar a curiosidade do aluno, gerar informação e senso crítico social. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública cumprir a Lei de forma incisiva, por meio da divulgação de números para disque denúncias e investigações aprofundadas, para que casos de capacitismo não sejam tolerados no país.