Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 19/04/2022
Na antiguidade europeia, a filosofia platônica se destacava ao reconhecer a existência do mundo inteligível como o lar das ideias e das formas perfeitas as quais devem ser buscadas pelos seres humanos. Contemporaneamente, a noção de perfeição inaugurada pelo platonismo encontra ecos sociais na valorização dos corpos com uma aparência e funcionalidade ideais e na segregação social dos corpos que fogem a esta lógica. Nesse ssentido, o capacitismo se encontra arraigado no Brasil e o seu combate é permeado por desafios sociais e culturais.
Primeiramente, a noção de indústria cultural explica o enraizamento na cultura do país da discriminação capacitista. Segundo Adorno e Horkheimer, fundadores deste pensamento, a indústria cultural é composta por um aparato midiático visto nos programas de televisão, no cinema e na internet responsável por propagar na população as ideias dominantes em uma sociedade. Desta forma, tal aparato difunde, entre as pessoas, a concepção de um corpo perfeito o qual atenda a padrões biológicos de funcionamento. Já aos corpos que fogem a esta ideia, a indústria da cultura lhes reserva uma representação degradante e preconceituosa, contribuindo, assim, para a discriminação e para a exclusão social das pessoas com deficiência.
Nesse contexto, no dia 03 de dezembro, é comemorado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, num esforço mundial de conscientização social acerca do capacitismo. No entanto, a ausência de ações do poder público as quais combatam a cultura capacitista no Brasil e que promovam a inclusão social das pessoas com deficiência, além da acessibilidade das mesmas nos locais públicos contribui para a permanência da discriminação dirigida a estes indivíduos no país, de modo a afastá-los de meios como o mercado de trabalho e as instituições de ensino.
Por fim, visando ao enfrentamento dos desafios para o combate ao capacitismo no país, o Executivo Nacional poderia combater a cultura capacitista no Brasil por meio da realização de palestras e projetos nas escolas e universidades os quais abordem a discriminação contra as pessoas com deficiência, além de promover a inclusão educacional e laboral destas pessoas por meio da elaboração de parcerias entre os entes da federação as quais alcancem tal objetivo.