Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 26/05/2022
A série Demolidor, à primeira vista, causa estranheza no público por apresentar um herói cego. Percebe-se, ao analisar tal comportamento, a ideia preestabelecida por parte da sociedade acerca das pessoas com deficiência, reflexo do capacitismo presente na humanidade. Nesse sentido, é correto afirmar que o preconceito corrobora diversos desafios, como a vulnerabilidade proveniente da exclusão e a invisibilidade do grupo minoritário.
A priori, vale ressaltar que, apesar da Constituição Federal de 88 assegurar que todos os brasileiros têm direito ao convívio social, o cenário encontrado ao se observar a realidade diverge do proposto no documento. Segundo dados extraídos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 6,2% da população possui alguma deficiência. Porém, menos de 1% dessa parcela se mantém ativa. No mercado de trabalho, por exemplo, pouquíssimas vagas são ocupadas por PCDs, sendo que 88% delas existe apenas para cumprir a lei de cotas. Assim, é fato que o descaso com deficientes contribui com sua exclusão, trazendo, por consequência, a marginalização desses indivíduos.
Ademais, o estigma associado à essas pessoas colabora com a visão arcaica enraizada no imaginário pessoal, aumentando o sentimento de não pertencimento dentro delas. No livro Extraordinário, escrito por R. J. Palacio, o personagem Auggie, em decorrência da deformidade genética em seu rosto, se isola da sociedade. Não distante da ficção, no entanto, pessoas com deficiência são frequentemente excluídas, o que favorece a negação de sua existência.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. É dever da mídia, por meio do impulsionamento de produções culturais, dar voz às pessoas com deficiência, com o intuito de garantir seu espaço perante à sociedade. Além disso, campanhas devem ser realizadas por órgãos públicos, afim de conscientizar a população sobre as capacidades do PCD. Somente assim o país evoluirá a um novo patamar.