Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 05/06/2022
Na obra “O Corcunda do Notre Dame” do escritor Victor Hugo, Quasímodo, o protagonista, é excluído e julgado como horrendo por causa da sua corcunda. Para além da ficção, na realidade brasileira, as pessoas portadoras de deficiência sofrem com a marginalização e o preconceito, por causa do capacitismo, o qual as impedem de disfrutar aspectos da sociedade. Para a reversão deste quadro, faz-se necessário discutir a arquitetura urbanística e o estigma acerca dessas pessoas.
De início, é importante destacar que as barreiras urbanísticas e arquitetônicas impedem a garantia de acessibilidade para todos. Sob essa ótica, segundo a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a acessibilidade é a possibilidade de se utilizar com segurança e autonomia de espaços da zona rural ou urbana. Contudo, apesar da existência da legislação que torna obrigatória a adoção de medidas inclusivas, como piso tátil e rampas para cadeirantes, o que realmente vemos são calçadas desniveladas e a falta de sinalização necessária, assim criando um ambiente inadequado para os deficientes.
Além disso, é necessário discutir a dificuldade que as pessoas com deficiência enfrentam no mercado de trabalho por causa da sociedade discriminatória. Nesta perspectiva, segundo o sociólogo Erving Goffman, o estigma é algo criado a fim de desqualificar e invalidar o indivíduo, e assim são privados da aceitação social. Sendo assim, fica evidente que o preconceito enraizado na vida das pessoas não deficientes potencializa o pensamento que essas pessoas são limitadas ou que não podem fazer tudo, reforçando ainda mais a discriminação e a exclusão.
Portanto, para combater o capacitismo no Brasil,cabe ao Ministério do trabalho implementar um número maior de cotas para as pessoas portadoras de deficiência, a fim de criar uma sociedade mais inclusiva. Ademais, cabe às Prefeituras Municipais ampliar a infraestrutura das cidades. Isso deve ocorrer por meio de um maior destino de verbas para a construção equipamentos inclusivas- como rampas para cadeirante, mais pisos táteis, melhor sinalização e entre outras coisas- a fim de garantir maior acessibilidade a todos. Assim, para que a marginalização vivida por Quasímodo encontre-se somente na ficção.