Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 19/07/2022
Em Esparta, uma das principais cidades da Grécia Antiga, os mininos que não possuiam capacidade física de atuar pelo exército da cidade eram condenados à morte. Apesar dessa prática ter ocorrido há milênios, é indubitável que o cenário brasileiro comtemporâneo é marcado pela presença do capacitismo - termo refe- rente à discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência. Com o fito de dissol- ver o impasse exposto convém destacar seus dois principais potencializadores: o descaso do sistema educacional e a maléfica postura midiática.
Frente a tal panorama, evidencia-se a postura negligente da educação nacional no tocante ao combate ao capacitismo. Nessa perspectiva,vale pontuar que a esco- apresenta grande potencial para atenuar a violência simbólica sofrida pelos defici- entes físicos, haja vista ser capaz de não só integrá-los à sociedade, mas também de implantar, desde o inicia da vida de cada cidadão, o respeito e a empatia. No entanto, ainda que Paulo Freire – patrono da educação do Brasil – tenha afirmado que o ato de educar exige a apreensão da conjuntura vigente, a realidade das víti- mas do capacitismo, por causa de problemas infraestruturais e do despreparo dos professores, é desprezada pelas escolas, fato de dificulta a promoção da cidadania a esse grupo minoritário.
Ademais, a ação da imprensa,de modo geral,corrobora a problemática discutida. Consoante ao sóciólogo P. Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de de- mocracia não deve ser transformado em um mecanismo opressor. Entretanto,a mí- dia nacional, em vez de expor ao público questões relacionadas às necessidades dos portadores de anomalias físicas e psíquicas, apenas dissemina padrões de be- leza idealizados. Consequentemente,os que não se enquadram nesses padrões tornam-se invisibilizados e, logo, o capacitismo é perpetuado no corpo social.
Portanto, diante das dificuldades supracitadas, cabe ao Estado, a fim de suprimir os efeitos das atitudes capacitistas e aplicar os ideias de Freire,favorecer a integra- ção dos deficientes nas instituições educacionais. Tal projeto será concretizado mediante a implementações nos cursos de licenciatura das universidades naciona- is, os quais devem capacitar os professores a lidarem com a presença das vítimas dessa mazela e a integrá-las ao corpo social.