Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 03/08/2022
Na distopia brasileira 3%, o personagem André, um cadeirante, é sempre visto como alguém incapaz. Analogamente, na atual conjuntura brasileira, o preconceito capacitista ainda é uma realidade alarmante e que apresenta desafios em seu combate. Nesse âmbito, é importante analisar-se a falta de uma verdadeira inclusão dos deficientes nos meios sociais, que causa uma alienação das outras pessoas acerca da realidade de vida desses indivíduos, e os efeitos do preconceito capacista no psicológico das vítimas.
Em primeira análise, é necessário que deficientes estejam plenamente incluídos nas relações sociais para que não exista uma alienação quanto às suas realidades. Acerca disso, vale lembrar uma frase do filósofo Habermas que diz que, “Incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer com o outro.” Nesse sentido, para que se combata essa alienação, é necessário que, através do convívio com indivíduos portadores de deficiência, as pessoas possam aprender sobre e respeitar essas realidades diferentes. Dessa forma, é necessário que ambientes de convívio social estejam aptos a acomodar pessoas com condições especiais.
Ademais, são preocupantes os efeitos psicológicos que podem ser causados devido ao capacitismo. Sobre essa ideia, vale ressaltar a história do “Sem-Perna”, personagem do livro “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, que, por ser “coxo”, era sempre visto com olhares de pena pelos outros, o que o deixava triste e furioso. Fora da ficção, olhares de pena e falas que taxam pessoas como o “Sem-Pernas” como incapazes, afetam psicologicamente essas pessoas que já enfrentam outras dificuldades. Dito isso, é importante que, além do combate ao capacitismo, sejam tomadas medidas em prol da manutenção do psicológico das vítimas.
Infere-se, portanto, a necessidade de ações efetivas para a atenuação do capacitismo e seus efeitos no Brasil. Destarte, o Ministério da Cidadania, órgão de grande influência no que tange a questões sociais no Brasil, deve garantir, com obras de infraestrutura, por meio de convênios com estados e municípios que áreas públicas de socialização tornem-se plenamente acessíveis para deficientes, a fim de facilitar a inclusão destes. Além disso, ONGs relacionadas às causas dos PCDs devem buscar garantir o acesso à saúde psicológica a esses indivíduo.