Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 21/10/2022
Na obra “Estrelas Tortas”, o autor Walcyr Carrasco narra a vida da jovem Marcella que, após sofrer um acidente, perde os movimentos das pernas e que, por a considerarem “inválida”, é deixada de lado até mesmo pelos seus amigos. Fora do campo literário, essa é a realidade de muitos brasileiros que são vítimas da estigmatização enraizada na sociedade. Dessa forma, urge o debate acerca da irracionalidade social como uma das principais causas dessa problemática, bem como a importância da educação para reverter esse panorama.
Diante desse cenário, é evidente que esse impasse é um dos principais efeitos da indiferença presente no corpo social brasileiro. Essa perspectiva é fortalecida pela teórica Hannah Arendt, para quem “existem males que já estão tão presentes que passam a ser normalizados e, assim, a sociedade não faz nada para
mudá-los”, por exemplo: o capacitismo em questão no país. Nesse sentido, ocorre a “banalidade” do ambiente cercado por preconceitos em que os indivíduos são inseridos e que, por conseguinte, são invisibilizados e limitados à sua deficiência, tendo sua autonomia e capacidades desconsideradas.
Outrossim, é nítido o papel indispensável da formação educacional na preparação do indivíduo para construir um meio social isento de preconceitos. Isso porque, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Assim, torna-se imprescindível uma reforma no atual modelo instrucional brasileiro, tendo em vista que, desde o século XX, com a implantação de um formato tradicionalista pelo então presidente Getúlio Vargas, cristalizou-se um padrão de ensino que negligencia o aprendizado de temas transversais, como: a inclusão de pessoas com deficiencia em todos os âmbitos da sociedade.
Portanto, cabe ao Governo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, a articulação de um projeto que, por meio de verbas governamentais, promova palestras em todas as escolas nacionais. Nesses momentos, profissionais da educação apresentarão aos alunos a importância de uma sociedade incusiva e consciente. Espera-se, com isso, formar uma sociedade livre de capacitismo e, por conseguinte, restringir a estigmatização sofrida por Marcella à ficção.