Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 01/10/2022

Na Antiguidade Clássica, a pólis Esparta tratava condições físicas e mentais adversas como doenças e matava as crianças portadoras. De modo análogo, no século XX, o nazismo retomou os ideais eugenistas e assassinou diversas pessoas com deficiências. Diante disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, somada à ONU, surgiu com o objetivo de proteger essa camada social. Todavia, o preconceito persiste e os principais desafios para combater o capacitismo no Brasil são: estereótipos difundidos pela sociedade e falta de representatividade.

Em uma primeira análise, o filme “Intocáveis” discorre sobre o protagonista que, por ser tetraplégico, encontra dificuldades em se relacionar, uma vez que é frequentemente infantilizado e tratado com comiseração. Embora seja ficcional, a obra evidencia o capacitismo coexistente com a realidade vivenciada por indivíduos na forma de esteriótipos que os inviabilizam. Em 2020, por exemplo, a influencer Lorrane Silva sofreu com ataques preconceituosos em que os internautas relacionavam o sucesso da blogueira ao sentimento de compadecimento devido ao seu dismorfismo ósseo. Com isso, é notório que a esteriotipação desse grupo é um óbice que desrespeita suas capacidades físicas, emocionais e psicológicas.

Ademais, outro empecilho no combate ao capacitismo é a falta de representação. Tal questão pode ser notada na série “The Good Doctor”, dado que, o protagonista, por ser autista, sofre imposições mais rígidas em relação aos outros funcionários e com o fato de ser o único neuroadverso do hospital. Dessa forma, a ficção dialoga com a atual conjuntura e expõe a ausência de representatividade dessa minoria. Comparativamente, em 2020, o site “Apublica” publicou uma matéria sobre os PCD’s ocuparem apenas 1% das candidaturas. Logo, a inclusão efetiva em setores que compõem a sociedade é imprescindível para coibir as concepções capacitistas.

Dessa maneira, para combater o capacitismo no Brasil, é dever do Estado, somado à mídia, promover palestras públicas virtuais e presenciais, por meio de portadores de fenótipos e genótipos diferentes que dialoguem sobre o respeito e tolerância. Além disso, é importante presença de educadores nessas palestras para explicarem e conscientizarem os brasileiros sobre as diversidades que compõem o país. Dessarte, o preconceito ficar-se-á no passado junto às atrocidades nazistas.