Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 10/10/2022
Na Roma Antiga, e também em Esparta, para que um recém-nascido pudesse viver, era necessário que não possuísse nenhuma deficiência, pois se houvesse, era legalmente permitido que seus pais o sacrificassem, uma vez que seria considerado inapto para lutar. Hodiernamente, Pessoas com Deficiência (PcD) lutam pelos seus direitos em uma sociedade capacitista, na qual se desenvolver enquanto ser social é um desafio, dado que se trata de um mal enraizado.
Mormente, deve-se destacar que o desenvolvimento de um indivíduo deficiente é um processo delicado, uma vez que a exclusão e o preconceito estão atrelados a este fator. Nesse sentido, a série televisiva “Atypical” retrata o amadurecimento de Sam, um garoto diagnosticado com autismo, ao relatar todos os seus acontecimentos de vida, impasses e vitórias, oferecendo ao telespectador um vislumbre de como é a vida de uma PcD. No entanto, apesar de informativa, a série aborda questões de extrema relevância através de um olhar romantizado e divergente da realidade, haja vista que há inúmeros fatores que afetam ou auxiliam no seu desenvolvimento, como o acesso à tratamentos e terapia, o apoio da família ou a falta dele e a possibilidade de um ensino adequado.
Outrossim, ressalta-se o fato de que o preconceito diante de pessoas deficientes é arcaico e equivocado, porém perdura por toda a história da humanidade, sendo denominado como “Capacitismo” apenas por volta de 1980 e ganhando visibilidade desde então. Nesse viés, o capacitismo se encaixa no conceito que a filósofa Hannah Arendt denominou como “Banalidade do mal”, que caracteriza o mal despercebido, já enraizado na sociedade, que se propaga sem que os propagadores tomem consciência de que é o mal em si. Nesse caso, que o preconceito contra PcD se dissipa implicitamente, com piadas e inacessibilidade.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigar este impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover a educação e a inclusão a respeito de PcDs, por meio de atividades curriculares dinâmicas inclusivas com PcDs, como o futebol de cegos, e palestras a respeito do assunto, como a linguagem em libras e relatos pessoais de PcDs. A fim de então poder conter a dissimulação de um mal com o conhecimento e inclusão adequados.