Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 18/10/2022

Promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece a igualdade como um princípio fundamental à vida em sociedade. Entretanto, a realidade brasileira mostra-se em desacordo com o ideal estabelecido pela ONU, posto que o pensamento capacitista permeia as relações sociais e impede a efetiva inclusão da pessoa com deficiência no cenário nacional. Nesse sentido, o preconceito enraizado e a ineficácia das ações estatais figuram como óbices ao enfrentamento da problemática.

Sob esse viés, a historicidade da nação verde-amarela revela a consolidação de uma mentalidade preconceituosa. Isso porque, segundo Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra “Raízes do Brasil”, a sociedade brasileira foi construída com base em valores patriarcais e conservadores, resistentes à diversidade. Essa construção histórica corrobora ideias capacitistas sobre a população portadora de deficiências no Brasil, que é frequentemente julgada como inferior, anormal e incapaz, quando comparada a pessoas não deficientes, consideradas “normais”. Dessa maneira, a visão preconceituosa acerca dos corpos deficientes fere o princípio de igualdade, sentenciando tal parcela popular à exclusão.

Ademais, as medidas governamentais mostram-se ineficientes para mudar essa realidade. A esse respeito, de acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, é responsabilidade do Estado garantir que os direitos sociais sejam usufruidos pelos cidadãos de forma igualitária. No entanto, o panorama nacional encontra-se desalinhado à proposição de Rousseau, visto que pessoas com deficiência permanecem à margem de seus direitos, a exemplo da dificuldade no acesso ao mercado de trabalho por substancial parcela desses indivíduos. Assim, evidencia-se a necessidade de mudança na conjuntura desigual e injusta vivenciada no país.

Portanto, faz-se imperativa a superação do capacitismo no Brasil. Para isso, o Ministério dos Direitos Humanos, responsável por zelar pelo bem social, deve veicular campanhas, por meio das mídias sociais, que combatam pensamentos preconceituosos acerca dos portadores de deficiências, a exemplo da suposição de incapacidade. Desse modo, buscar-se-á uma sociedade mais inclusiva e, assim, o ideal de igualdade finalmente será celebrado na nação brasileira.