Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 07/02/2023

A filósofa política Hannah Arendt define a Teoria da Banalidade do Mal como a normalização de problemas dentro da sociedade devido ao fato destes serem comuns à vivência do cidadão. Assim ocorre com o capacitismo, definido como a naturalização e hierarquização das capacidades humanas. O problema possui raízes longínquas, mas perdura no contexto atual pela negligência governamental no estabelecimento e cumprimento de leis de inclusão e punição aos praticantes deste comportamento.

Nesta perspectiva, se faz necessário analisar as dificuldades relativas à inclusão de pessoas com deficiência (PCD) ao meio social. Percebe-se, até certo ponto, a integração de PCD nas universidades, principalmente após a lei de cotas, porém, essa realidade não se expande até o mercado de trabalho que, em grande parte dos casos, opta por abarcar pessoas que não possuem deficiência, um comportamento notoriamente capacitista.

Os iluministas Diderot e D’Alembert afirmam que a democratização da educação é fundamental para o combate à alienação na sociedade, teoria que se prova verdadeira ao se estudar as raízes do capacitismo que, podem ser observadas principalmente dentro dos muros das instituições de ensino, visto que o tema é discutido com pouca ou nenhuma frequência para jovens e crianças. Estes, por sua vez, ao serem privados do contato com a problemática, crescem sem saber da existência dessa questão.

Assim sendo, depreende-se que cabe ao Estatuto da Pessoa com Deficiência a elaboração de projetos que levem para dentro das escolas o conhecimento sobre o capacitismo, de forma que os jovens entendam de uma vez por todas quão prejudicial é este comportamento. Também se faz necessário a fiscalização da quantidade de PCD nas empresas, verificando se estas estão de fato cumprindo a lei de inclusão, punindo-as caso contrário. Desta forma, é possível cortar o mal pela raiz, ao invés de banalizá-lo.