Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 04/04/2023

Na Grécia Antiga, particularmente em Esparta, havia a supervalorização do corpo belo e forte, pois favorecia a luta nas guerras e, com isso, crianças com deficiências eram abandonadas da sociedade. Nesse viés, nos dias atuais, a existência do capacitismo é, infelizmente, uma realidade no Brasil. Dessa forma, cabe analisar o preconceito enraizado no meio social e a predominância do individualismo na organização estrutural da nação brasileira.

Diante desse cenário, o Art.5 da Constituição Brasileira de 1988, evidencia que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, o qual promove o direito à igualdade. Porém, essa regalia não é uma realidade no cotidiano de diversos indivíduos portadores de deficiência. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o “Habitus” consiste na exteriorização da interiorização de costumes enraizados na sociedade. Com isso, a persistência da discriminação com cidadãos possuídores de alguma limitação, física ou cognitiva, contribui na consolidação de antigos padrões preconceituosos apesar da existência de um Estado com leis vigentes.

Ademais, a falta de projetos de acessibilidade para indivíduos portadores de deficiência é predominante na atual sociedade individualista. Nesse viés, segundo Ermínia Maricato, Arquiteta e Urbanista, as características das cidades têm a ver com raízes históricas e, com isso, a dificuldade de mobilidade levam os cidadãos a um sentimento de melancolia e descrebilidade em relação ao Estado. Visto isso, indivíduos portadores de necessidades especiais, como, por exemplo, visuais, auditivas e locomotoras, são afetados, diretamente, com a precariedade na organização das cidades e, portanto, possuem dificuldades no pleno acesso igualitário nas áreas de locomoção e de lazer do núcleo urbano.

Portanto, medidas são necessárias para reverter esse cenário. Cabe ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Urbano a realização de reformas na infraestrutura das cidades, por meio da criação de um planejamento urbano eficiente o qual permita facilidade na mobilidade de indivíduos portadores de deficiência e, por fim, garanta o acesso igualitário a todos os cidadãos do país.