Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 17/08/2023

No filme “Hoje eu quero voltar sozinho“, dirigido por Daniel Ribeiro, é retratado a vivência de Leonardo, um deficiente visual, durante sua adolescência. No enredo, Léo passa por diversos desafios relacionados a sua deficiência visual, sendo o preconceito o principal deles. Fora das telas, a realidade vivenciada pelo protagonista é semelhante à de milhares de pessoas com deficiência, tendo em vista os desafios no combate do capacitismo no Brasil. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a inoperância governamental e ausência de representatividade como pilares da problemática.

Nesse cenário, em primeiro plano, é preciso se atentar para a inoperância governamental presente na questão. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsavél por garantir o bem-estar populacional, entretando isso nao ocorre no Brasil. Somente até Agosto em 2021, foram registrados mais de 600 ocorrências de violação de direitos contra pessoas com deficiência em São Paulo, segundo o Instituto Jô Clemente.

Além disso, a ausência de representatividade também é um grande impasse para resolução dessa problemática. Chimamanda Adichie alerta que os estereótipos limitam o pensamento humano. Tais estereótipos crescem na lacuna de representatividade que gera desafios para combater o preconceito com deficientes no Brasil, visto que a falta de representatividade deixa os deficientes distantes de qualquer forma de se ver socialmente como indivíduos respeitados e dificulta o acesso a informações de como denunciar o capacitismo. Desta forma, para deixar de limitar o pensamento, é preciso quebrar esses estereótipos preconceituosos por meio da representação de narrativas plurais.

Portanto, urge que o problema seja dissolvido. Para isso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH) deve criar projetos de lei visando a conscientização populacional sobre respeito com deficientes e capacitismo, por meio de palestras e propagandas com divulgação na mídia, a fim de reverter essa inoperância governamental que se instala no combate contra preconceito com deficientes no Brasil. Tal ação pode, ainda, conter meios informativos de como denunciar o capacitismo para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso interferir sobre a lacuna de representatividade presente na questão. Desse modo, garantindo que casos como os de São Paulo não voltem a se repetir.