Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2023
Segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão possui o direito à igualdade, cabendo ao Estado a sua efetivação no corpo social. Contudo, vê-se que essa asseguração não é aplicada de forma plena, visto que existe desafios para combater o capacitismo no país. Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar dois pontos acerca do óbice apresentado, que são a negligência governamental e a discriminação praticada contra as pessoas com deficiência.
Nesse viés, primeiramente, é válido abordar a falta de atuação estatal presente na questão. Nesse âmbito, para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto ao combate do capacitismo, já que poucas são as implementações de medidas que incluem esses indivíduos na sociedade, como a criação de políticas públicas nacionais de atenção a esses grupos e projetos que transformem a sociedade mais acessível para eles. Assim, para que tal qualidade de vida seja usufruída, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.
Além disso, cabe analisar a discriminação feita contra as pessoas com deficiência. Nessa conjuntura, o pensador Pierre Bourdieu define " Violência simbólica" como a inferiorização de indivíduos por crenças dominantes. Tal violência está presente na questão do capacitismo, uma vez que tal conceito é uma atitude preconceituosa que hierarquiza sujeitos em função da adequação de seus corpos a um ideal de beleza e capacidade funcional. Dessa forma, é preciso combater a violência simbólica existente na nação brasileira, para superar o empecilho social em evidência.
Portanto, é de suma importância que o Poder Público, como instituição de alta relevância para o país, aja de forma a acabar com tal preconceito. Isso deve ser feito por meio de investimentos nas infraestruturas dos locais de difícil acesso para essas pessoas, além de palestras nas escolas, ao convidar indivíduos desse grupo para ministrar a aula, na qual terá a desmistificação de que eles são incapacitados de realizar certas atividades, a fim de romper com o pensamento dominante e com a violência. Para que, assim, o direito descrito na Constituição seja válido e efetivo para todos.