Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2023

O capacitismo é a discriminação de pessoas que apresentam alguma deficiência, as colocando em locais subalternos baseado na construção de um corpo social padrão. Nessa senda, permite-se refletir sobre como o imaginário simbólico social do Brasil hodierno está revestido com esse preconceito. Assim, é importante analisar como a lógica neoliberal excludente e a lenta mentalidade social possibilita sistemas de dominação na nação brasileira.

Nessa perspectiva, é notório que a lógica do mercado vigente é responsável por docilizar corpos marginalizados. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, o modus vivendi da sociedade contemporânea é baseado na docilização dos corpos — controle minucioso do indivíduo que o sujeita a uma relação de docilidade-produtividade. No entanto, infere-se que, no corpo social brasileiro, pessoas com deficiência não participam dessas relações de poder, pois não são consideradas produtivas na conjuntura neoliberal capacitista. Isso ocorre pois a estigmatização dos PCDs já é intrínseca à nação tupiniquim.

Ademais, observa-se que, mesmo que haja uma mudança na forma de pensamento, ela ocorre de forma lenta na sociedade brasileira. Erving Goffman - sociólogo canadense - apresenta em seu ensaio sobre as características das instituições totais o conceito de “mortificação do eu” — constantes mutilações identitárias resultantes do isolamento social, perda dos papéis sociais e padronização dos indivíduos. Nessa senda, a sociedade brasileira “mortifica” portadores de deficiências, seja física ou mental, devido aos arquétipos construídos no imaginário simbólico social, este que se espelha em um discurso colonialista.

Diante desse cenário, é fulcral que Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — responsável pela articulação das políticas de promoção dos direitos da Carta Magna — promovam a inclusão dos PCDs no corpo social, por meio de um trabalho em conjunto com o Poder Legislativo que articule políticas públicas, a fim de fomentar a participação de pessoas com deficiências no mercado de trabalho. Paralelamente, a grande mídia de massa deve criar um programa, através de entrevistas com especialistas no assunto a fim de atualizar a mentalidade social acerca da questão dos portadores de deficiência.