Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/11/2023
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura o bem-estar e os direitos da população. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto que a Carta Magna prega, uma vez que o capacitismo cria barreiras, as quais evidenciam a problemática desse cenário antagônico. Diante disso, torna-se crucial analisar as causas desse revés, que se desenvolve não só devido à negligência do Estado, mas também por conta da alienação presente na comunidade brasileira.
A princípio, é imperioso ressaltar a insuficiência das ações do Estado contra a estagnação desse empecilho. Conforme o filósofo Maquiavel, o principal objetivo do governante é o poder e não o bem comum. Nesse prisma, o governo deixa de zelar por ações conscientizadoras e os meios de resolução do capacitismo, pelo fato de que estas políticas públicas não garantem o amplo efetivo de votos aos políticos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Outrossim, é igualmente preciso pontuar a culpa da população na perpetuação desse impasse. A filósofa alemã Hanna Arendt, em seu conceito “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, no qual os indivíduos são incapazes de realizar julgamentos morais. Partindo desse pressuposto, a definição da pensadora está relacionada à continuação dessa adversidade pelo fato de que os cidadãos desconhecem e não compreendem as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência e, consequentemente, não se engajam em iniciativas que visem à inclusão.
Conclui-se, assim, que a superação do capacitismo demanda ações concretas e efetivas por parte do Estado e da própria população. Para isso, é necessário que o governo, autoridade governamental de uma unidade política, promova campanhas educativas, conscientizando a população, para que esta reconheça sua responsa- bilidade na manutenção desses desafios e se engaje ativamente na promoção da inclusão. Além disso, é importante a criação de cidades verdadeiramente acessí- veis, onde os artifícios que compõem as cidades sejam projetados considerando as necessidades de todas as pessoas, independentemente de suas habilidades físicas.