Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 25/06/2024

O drama “The Good Doctor retrata a segregação e o preconceito enfrentados por Park Si-o - um médico com autismo - devido à visão distorcida de incapacidade e inferioridade ligadas ao seu transtorno. Sob essa ótica, de maneira semelhante, diversos brasileiros com algum tipo de deficiência são vítimas dessa dinâmica capacitista. Por isso, é indispensável quebrar esse ciclo, levando em consideração razões sociais e legais.

É relevante ressaltar, inicialmente, como o corpo social auxilia manutenção dessa desigualdade. Nesse sentido, vale citar a socióloga brasileira Maria Cecília: conforme a autora, existem problemas sociais que não se transformam em debate e busca de solução pela sociedade. Com base nisso, interpreta-se que, se hoje existe uma falha quanto como pessoas com deficiência são tratadas, é porque instituições, como mídias, escolas e ministérios, por exemplo, falharam na tarefa de conscientizar a sociedade sobre o reconhecimento desse grupo como dotado de habilidades e necessidades individuais de suporte - como, arquitetura urbana adaptada. Desse modo, essa ignorância legou à intimidação e à invalidação dessa minoria, expostas em frases populares, como “dar uma de João sem braço”.

Ademais, é pertinente abordar o quanto o capacitismo é algo que vai de encontro àquilo previsto em lei. Nesse contexto, cabe referenciar o jornalista Gilberto Dimenstein, o qual atesta que, no Brasil, a cidadania é somente garantida no papel. Diante disso, é possível observar essa cidadania de papel com artigo 1 do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o qual assegura a igualdade desses cidadãos. Isso é exposto na carência de fiscalização da execução de políticas públicas de inclusão e no pouco rigor punitivo para crimes contra PCD. Esse retrato demonstra a pouca atenção pública com grupos minoritários, a qual dificulta o desenvolvimento social.

Portanto, os governos estaduais e municipais devem articular políticas públicas para dar visibilidade e inserção aos PCD. Dessa maneira, podem incluir, por exemplo, campanhas educativas, construção de recursos de acessibilidade nas cidades e propagandas. Isso deve ocorrer por meio dos diversos suportes midiáticos, como jornais, TV e mídias sociais. Por fim, o país avançará rumo à dignidade plena das pessoas com deficiência.