Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 07/10/2024
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, em suas “Memórias Póstumas” diz que não teve filhos e não deixou a nenhuma criatura o legado de sua miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada a sua decisão: os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil representam uma das faces mais depreciativas de uma país em desenvolvimento. Com isso, surge uma problemática, devido à ignorância da população e à falta de representação social das pessoas com deficiência na mídia.
Em primeiro plano, é notável que a falta de conhecimento da população sobre as capacidades físicas e cognitivas de pessoas com deficiência leva à discriminação e ao capacitismo. Nesse sentido, segundo Voltaire, o preconceito é a opinião sem conhecimento. Portanto, a ignorância da população brasileira, como apresentada pela Instituição Ipsos Mori, em que o país se encontra entre um dos mais alienados do mundo, favorece a formação de perspectivas não embasadas em fatos. Logo, é vital que os cidadãos sejam estimulados a buscar mais saberes para, assim, compreenderem a condição dessas pessoas e pararem com a intolerância.
Ademais, a falta de representatividade de pessoas com deficiência em mídias sociais se mostra com um dos desafios para o combate ao capacitismo no Brasil. Sendo assim, o não reconhecimento delas em tais espaços reforça a ideia de que esses cidadãos não possuem as mesmas capacidades que pessoas sem a condição por não serem vistas. Sob esse viés, segundo Nick Couldry, existem inúmeras vozes que por serem minorias são postas ao esquecimento. Desse modo, esse grupo de indíviduos, ao não possuir poder social para estar em evidência, é desprezado pela população. Então, é importante que o Estado acolha essas pessoas e as proporcione mais visibilidade no cenário midiático.
Dessa maneira, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, plataformas educacionais digitais, como o YouTube, devem criar uma série de vídeos com médicos e psicólogos que visem educar a população sobre a condição das pessoas com deficiência e reduzir o capacitismo. Paralelamente, é preciso que o Estado crie políticas públicas que mostrem as capacidades físicas e cognitivas desses indíviduos, em mídia nacional, para aumentar a representatividade. Assim, será possível transformar o Brasil num país que Brás Cubas possa se orgulhar.