Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 10/10/2024

O Estatuto da Pessoa com Deficiência é uma lei que afirma ser dever do poder público e dos cidadãos garantir a inclusão de PCDs nos mais diversos setores da sociedade. No entanto, a realidade desses brasileiros mostra-se contrária ao que está escrito no papel, uma vez que são vítimas do capacitismo, um tipo de discriminação que invibializa a materialização de direitos básicos. Diante desse cenário, é crucial analisar o impacto dos fatores históricos e da negligência estatal.

Primeiramente, é válido citar que a estigmatização desses indivíduos é consequência de eventos do passado. Sob esse viés, na Sociologia, o termo “Estigma” refere-se a uma mancha social negativa que atribui-se a um grupo com o intuito de segregá-lo. Nesse sentido, no século XIX, o movimento eugenista propagou a discriminação contra PCDs, pois esses não atendiam aos “padrões corporais ideais”, logo, eram considerados inúteis e deveriam ser isolados. Consequentemente, na atualidade, esse pensamento ainda persiste no imaginário social, pois pessoas com deficiência continuam sendo vistas como inaptas de exercer tarefas básicas, como trabalhar, o que, profissionalmente, as exclui. Assim, fatores históricos contribuem para a manutenção desse preconceito.

Além disso, o descaso governamental é outro entrave a ser superado. Sob essa perspectiva, o geógrafo Milton Santos afirma que há direitos básicos que devem ser assegurados a todos, sem excessão. Contudo, muitas vezes, essas garantias ficam só no papel, o que, segundo Milton, termina por mutilar a cidadania dos indivíduos desassistidos. Frente a isso, esse pensamento se materializa no capacitismo presente na educação, já que, de acordo com o site G1, menos de 30% das escolas brasileiras têm adaptações para PCDs. Por conta disso, o descaso dos governantes com a pauta da inclusão nos centros escolares gera a inacessibilidade, o que fomenta a evasão escolar desse grupo. Dessa forma, a inércia do Estado contribui para a mutilação da cidadania de pessoas com deficiência.