Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 20/10/2024
No filme “Intocáveis”, o protagonista Philippe passa por diversas dificuldades adaptativas após um acidente que o deixou tetraplégico. Fora dos limites da ficção, casos semelhantes ao do personagem evidenciam um grave problema presente no Brasil: o capacitismo. Sendo assim, torna-se premente analisar as principais causas dessa mazela: a negligência governamental e a ignorância populacional.
Diante desse cenário, cabe ressaltar que a omissão estatal impulsiona diretamente a discriminação de pessoas com deficiência. A respeito disso, o sociólogo Thomas Marshall afirma que a cidadania só é plena quando o governo garante a todos seus direitos sociais e civis. Entretanto, as políticas públicas realizadas pelo Estado são insuficientes para incluir aqueles com deficiência no mercado de trabalho e no âmbito escolar, por exemplo. Como consequência, esse descaso governamental reforça a desigualdade e contribui para a permanência do capacistismo no País. Logo, fica evidente que, sem uma atuação efetiva do governo, o preceito defendido por Marshall não será plenamente efetivado.
Ademais, é válido afirmar que a falta de instrução da população é um sustentáculo para a problemática em discussão. Isso porque, Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual apresenta uma “cegueira moral”, insensibilizando-se do sofrimento alheio. Dessa forma, parcela significativa dos cidadãos, por viverem em um ambiente social individualizado, não está ciente dos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência. Consequentemente, tal ignorância induz a discriminação e perpetua, por exemplo, a invisibilidade dessas pessoas. Assim, fica explícito que essa “cegueira moral” postulada por Bauman dificulta a superação do capacitismo na sociedade brasileira.
Portanto, é urgente a necessidade de medidas para combater tanto a negligência governamental quanto a ignorância populacional. Desse modo, o Estado, responsável pela garantia de direitos, deve implementar políticas públicas mais eficazes, por meio de novos decretos e fiscalizações rigorosas, objetivando diminuir a exclusão e, assim, executar seus deveres constitucionais. Concomitantemente, a mídia precisa informar adequadamente os cidadãos, por intermédio de propagandas e ficção engajada, a fim de criar uma sociedade empática e inclusiva.