Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 12/06/2025

O capacitismo é um fenômeno social que atravessa as relações interpessoais e institucionais, promovendo a marginalização e a discriminação de pessoas com deficiência. Nesse contexto, a afirmação do educador Darcy Ribeiro, ao dizer que “o Brasil é um país de poucos, para poucos e contra muitos”, evidencia como estruturas sociais excludentes se perpetuam no país. A partir disso, observa-se que a falta de empatia e a invisibilização desses indivíduos agravam a desigualdade, especialmente nas áreas da educação e da saúde. Desse modo, é imprescindível a adoção de práticas inclusivas e a reformulação do sistema para garantir os direitos e a dignidade dos cidadãos atípicos.

O filme The Good Doctor retrata com sensibilidade a realidade de pessoas neuroatípicas, ao mostrar a trajetória de um jovem médico autista que, apesar de seu talento, enfrenta constante discriminação e desconfiança por parte de colegas e superiores. Essa representação fictícia reflete um problema real e recorrente, a intolerância em ambientes que reforçam padrões normativos de comportamento e aparência, desconsiderando as potencialidades dos indivíduos com deficiência. Essa postura capacitista contribui não apenas para a exclusão no mercado de trabalho, mas também para o desenvolvimento de quadros de baixa autoestima, depressão e isolamento social, dado o sentimento de não pertencimento.

Contudo, a falta de políticas efetivas de inclusão e sensibilização agrava esse cenário. Corroborando essa ideia, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 10,6% dos brasileiros já se sentiram discriminados dentro da rede de saúde pública, um espaço que deveria promover acolhimento, mas que muitas vezes reproduz preconceitos estruturais.

Portanto, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, desenvolva campanhas de sensibilização e formação continuada para profissionais da saúde e da educação, com foco na inclusão de pessoas com deficiência, por meio de oficinas, palestras e materiais pedagógicos acessíveis. Além disso, é necessário que o governo federal amplie o investimento em infraestrutura acessível e tecnologias nas instituições públicas, a fim de promover um ambiente mais justo e acolhedor.