Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 20/09/2025

Segundo a ativista Simone de Beauvoir, “não há crime maior que destituir o ser humano de sua própria humanidade, reduzindo-o à condição de objeto”. Paralela-mente ao Brasil no século XXI, para que tal situação não ocorra, vê-se a necessida-de de debater os desafios para o tratamento de dependentes químicos no país. Dessa forma, observam-se duas problemáticas centrais a serem solucionadas, a in-visibilidade social do grupo e a ineficiência estatal.

Sob essa óptica, é inegável que as pessoas com vícios em drogas são isoladas das atividades sociais. De acordo com o geógrafo Milton Santos, no espaço urbano exis-tem minorias relegadas ao esquecimento. Nesse caso, nota-se que a exclusão é dos indivíduos dependentes de componentes alucinógenos, o que dificulta o acesso a vias que os ajudem a mudar essa realidade. Isso ocorre, pois persiste no imaginário popular a ideia de que há falhas relacionadas ao caráter individual de cada sujeito encontrado em tal circunstância. Mas esse pensamento contribui para a estereoti-pação deles como “maconheiros” e “cracudos”, de modo a silenciá-los e serem ra-zão de pânico social.

Ademais, o Estado brasileiro mostra-se ineficaz para agir no cerne da questão. Se-gundo o programa jornalístico-humorístico Greg News, a chamada “guerra às dro-gas” no Brasil se trata de uma disputa ideológica e não apresenta combate efetivo ao uso das substâncias. Nesse sentido, compreende-se que a luta dos governos tu-piniquins contra tais fármacos químicos representa gastos desnecessários, os quais poderiam ser investidos em assistência social para os indivíduos. Por isso, é notória a importância de modificar os métodos de combate ao acesso, ao uso e à venda das drogas, uma vez que impedir o primeiro contato das pessoas com os entoper-centes ainda é a profilaxia mais eficiente.

Portanto, urge mitigar o cenário. Assim, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Humano e Cidadania, em conjunto com a mídia - ferramenta capaz de informar a sociedade-, adotar medidas que melhorem o alcance dos dependentes químicos aos tratamentos. Tais ações devem ser feitas por meio da ampliação de programas de assistência social, bem como campanhas que expliquem as consequências do uso das substâncias. Tudo isso a fim de manter a dignidade do corpo social.