Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 28/08/2026

A série “O Gambito da Rainha” retrata uma jogadora de xadrez que necessita de remédios tranquilizantes para ensaiar suas jogadas com eficiência. Analogamente, saindo da ficção, a sociedade brasileira observa o índice crescente de dependentes de substâncias psicoativas, como álcool e tabaco. Nesse sentido, é válido estabelecer que os maiores desafios para a reabilitação dessa parcela populacional estão na omissão estatal e na negligência popular.

Diante desse cenário, a ineficácia legal configura-se como uma das principais causas desse problema, visto que o investimento e a fiscalização nos setores de tratamento especializado são insuficientes. Dessa forma, tal cenário conflita com a tese defendida pelo contratualista inglês Thomas Hobbes, segundo o qual o Estado deve garantir a ordem e a organização da sociedade, já que essa situação gera déficit de centros de atendimento. Sendo assim, essa realidade implica que as instituições não possuem capacidade de auxiliar todos os cidadãos que esperam por apoio, o que evidencia uma falha na atuação estatal.

Ademais, a ausência de consciência coletiva é um forte entrave para a recuperação de pessoas em estado de dependência química, haja vista a inexistência de mobilização social. Nesse contexto, a área de conhecimento da Sociologia explica que a normalização do consumo de drogas lícitas omite os riscos desse hábito. Desse modo, esse fato invisibiliza os danos psicológicos gerados, como o vício e a degradação de neurônios. Por esse motivo, a ingestão desses compostos demanda intervenção.

Portanto, a instabilidade da legislação e a passividade cidadã constituem as verdadeiras barreiras para a superação dessa problemática. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável pela Política Nacional de Saúde - estabelecer um Plano de Atendimento Especializado, por meio do investimento nas instituições dessa área, em parceria com as prefeituras, a fim de fortalecer as medidas legais. Em paralelo, a mídia deve operar a divulgação das consequências reais dessa prática, por meio de campanhas publicitárias, como palestras, comerciais ou cartazes, em prol da conscientização civil. Logo, essas ações estimulam a mitigação desses obstáculos.