Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 15/10/2018
O cenário distópico de cidades brasileiras em relação ao número e situação de dependentes químicos assemelha-se à ambientação da obra “O ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago. A situação dessas pessoas é um caso de saúde pública. Dessarte, são necessárias ações emergenciais para controle do aumento de usuários de drogas e tratamento dos viciados.
Indubitavelmente, as drogas lícitas e ilícitas são danosas ao bem-estar dos usuários e familiares. O o impacto dessas substâncias químicas, contudo, atinge a segurança, a educação, a economia e, principalmente, a saúde pública. A Constituição Federal brasileira garante direitos básicos ao cidadão. Se for levado em consideração o conceito de saúde como bem-estar físico, psíquico e social, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, percebe-se que a doença social e química afeta milhões de brasileiros.
De acordo com dados oficiais do governo federal, houve aumento dos números de usuários de drogas lícitas, como álcool, das solicitações para internação compulsória, dos registros por apreensão de drogas ilícitas por declarados usuários, de internações e procedimentos médicos por causas diretas ou indiretas ao consumo de drogas. Esses dados servem como ferramenta na elaboração de políticas públicas para amenizar os efeitos sociais.O historiador Leandro Karnal afirma que a dependência química é uma doença social que precisa ser tratado por múltiplas terapias. A sociedade brasileira não deve tratá-la como mero caso de polícia, como historicamente foi. Antes de mais nada, a dependência química é uma doença que exige intervenção médica e terapias adequadas.
Ao contrário do exposto, muitos brasileiro extremistas acreditam que a dependência química não possui um viés patológico. Fragilidade emocional por questões religiosas, crises econômicas, falta de base familiar e ação ineficaz da polícia são os principais combustíveis para o consumo de drogas. Para quem tem a sorte de não ser ou não possuir pessoas próximas que são dependentes químicas, é fácil fazer essa associação. Tratá-las como doentes, para muitos é uma desculpa e gera despesas públicas.
Para tratamento aos doentes, a gestão pública brasileira precisa efetivar políticas direcionadas aos dependentes químicos. São necessárias intervenções médicas, uso de fármacos e internações. A disponibilidade de clínicas aos usuários deve atingir pacientes conscientes e também àqueles que necessitam de internação compulsiva. Para isso, há de haver mudança de legislação para regularização dela. Além disso, a sociedade como um todo necessita apoiar o tratamento dos doentes, buscar ajuda e ser atendido e apoiado por equipamentos públicos e pela sociedade é o mínimo a ser disponibilizado. Como uma doença grave, o tratamento é longo e caro, mas é um direito assegurado.