Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 15/10/2018

O médico Drauzio Varella entonou em uma série de reportagens a seguinte frase: “O dependente químico é acelerado, não sabe lidar com as frustrações das etapas intermediarias”. A pressa na procura por uma cura imediata do uso de drogas se junta à várias ofertas ineficazes de tratamento, gerando gastos ao sistema de saúde no país decorrentes de problemas que aparecem durante o uso de drogas e depois dele.

Deve-se pontuar de inicio que segundo a ONU, casos de uso de drogas no Brasil cresceram 60% entre 2000 e 2015, tendo como referencia de recuperação 66% das pessoas que ficam internadas até 18 meses de tratamento. Segundo especialistas, cada pessoa apresenta necessidades e acessos diferentes aos programas de recuperação, existindo diversas formas de planos para os dependentes, dois exemplos são: o A.A (Alcoólicos Anônimos), com programas que vão desde conversas em grupos à acompanhamento psicológico, como existem oficinas desenvolvidas através de ONGs com incentivo à arte, esporte e outros meios de ocupação que desviem a ânsia de utilização da droga.

Dados que comprovam o aumento de usuários são relacionados também aos gastos com saúde pública. Parte dos dependentes geram custos ao governo por atendimentos decorrentes de overdose ou acontecimentos em consequência da dependência, além disso, o tabagismo por exemplo é responsável pelo desenvolvimento de aproximadamente 50 doenças segundo a Organização Mundial da Saúde, sendo uma delas o câncer de pulmão com custo médio de 33.000 reais o tratamento por paciente.

É evidente portanto, que cada dependente químico vai responder ao tratamento de diferentes formas. Dessa maneira, é preciso que o Ministério da Saúde desenvolva programas específicos de reabilitação voltado para a individualidade do usuário, assim como cabe ao Estado a construção de clínicas e hospitais especializados e com atendimento gratuito, redirecionando para isto verbas públicas e parcerias financeiras com empresas privadas, a fim de que cada dependente tenha acesso ao tratamento de qualidade e eventuais gastos desnecessários em outras áreas sejam cessados.