Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 16/10/2018

Segundo a Teoria da Mediana do filósofo Aristóteles, agir virtuosamente é encontrar o justo meio entre os vícios, ou seja, realizar práticas no controle entre a falta e o excesso. Dessa forma, é possível observar a necessidade da sociedade voltar a viver virtuosamente, sem o consumo de drogas químicas que induzam aos extremos, atitude que se mantém vigente devido à falta de discussões que instigam a ignorância sobre o assunto e problemas estruturais de saúde que impedem o sucesso dos tratamentos.       O livro “Vida de Droga”, de Walcyr Carrasco, discorre sobre a vida da jovem Dora, que após um colapso financeiro da família, começa a usar drogas pela influência de conhecidos e a partir disso passa a roubar, ter problemas com a polícia e com a família e a se prostituir. O cenário exposto no período anterior é recorrente nos lares brasileiros, uma vez que os mitos difundidos socialmente como a facilidade de parar depois de ‘provar’ drogas (maconha, cocaína, crack) associados a falta de discussão nas escolas, família e comunidade sobre os problemas decorrentes do uso de tais substâncias (depressão, não exerção da cidadania, desestruturação de organizações familiares e complicações de saúde) corroboram para a manutenção dessa chaga social.

Em segunda análise, mediante o que foi discutido no parágrafo anterior, é necessário destacar que em adição a falta de debate e de desconstrução de paradigmas, a estrutura precária das Comunidades Terapêuticas e do Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) municipais é uma questão latente. Tais estabelecimentos de assistência brasileiros trabalham com a carência de profissionais bem remunerados e em abundância para atender a todos adequadamente, montando um tratamento personalizado para cada dependente, com a escassez de medicações e de variedade de atividades de ofício ou recreativas para auxiliarem na recuperação motora, cognitiva e social, além do acompanhamento psicológico para a família do paciente, fatores que favorecem a não solução adequada ao tratamento dos indivíduos.

Destarte, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Saúde, por meio do direcionamento de verbas, promover palestras ministradas por psiquiatras, antropólogos e assistentes sociais na urbe e comunidades periféricas que desestigmatizem mitos e paradigmas falsos sobre o uso de drogas e explanem os perigos e problemas de saúde e sociais consequentes dessa utilização, para diminuir a falta de esclarecimento e posteriormente o número de usuários. Ademais, é preciso que os Governos Municipais aumentem o direcionamento de verbas para a melhoria dos CAPS e Comunidades Terapêuticas, a fim de garantir o tratamento adequado para os dependentes químicos. Espera-se, a partir dessas ações, que a Teoria da Mediana Aristotélica vigore no país.