Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 16/10/2018

Em janeiro de 2018 o prefeito de São Paulo, João Dória, postou em suas redes sociais duas fotos da a esquina da rua Helvétia, na Cracolândia. Ele compara a rua movimentada na gestão anterior (primeira foto) e a rua vazia na sua gestão (segunda foto). Embora tenha afirmado que isto foi o resultado do tratamento de dependentes químicos e ações policiais, aquelas pessoas não foram tratadas, foram apenas retirados do local. A dependência química e alcoólica é um grande problema enfrentado pelo Brasil tendo a marginalização da pobreza como principal causa.

Se um indivíduo com boas condições financeiras se torna dependente de drogas, seja narcóticos ou álcool, essa pessoa é tratada pois é considerada doente. Se um pobre vira dependente química é chamado de vagabundo. Em um cenário de pobreza, falta de escolaridade, emprego, moradia e alimentação, as drogas se tornam uma forma de sobrevivência, seja para mercado ou consumo. Ao se tornar dependente, o indivíduo não consegue ter uma perspectiva de qualidade de vida. Ora, ele não pode pagar por um tratamento qualificado, não há assistência pública de qualidade, o máximo que consegue é uma internação compulsória, que, ao invés de se tornar uma ajuda, vira um ato de violência ao paciente.

Além disso, atendimento ao dependente deve ser de fácil e rápido acesso, pois, a motivação para acabar com o consumo de drogas é rápida. A desintoxicação não é, por si só, eficaz. O tratamento deve ser longitudinal, feito em etapas, adequado às condições de cada paciente. Ademais, a dependência não se limita ao usuário, mas também a família. Esta é afetada pelos maus olhos da sociedade, é afetada pelo traficante com cobranças, é afetada pelo dono do bar, e é afetada, sobretudo, por ver o familiar cada dia mais debilitado sem poder dar assistência.

Assim, a dependência as drogas nasce da realidade social precária e atinge toda a sociedade. Portanto, o Estado deve investir na raiz do problema, isto é, promover, junto ao MEC e órgãos como Sesi e Senai, cursos profissionalizantes, de maneira a inserir a população marginalizada no mercado de trabalho, diminuindo as chances de ingresso no narcotráfico e alcoolismo. A dependência é caso de saúde pública, portanto, cabe os Ministério da Saúde fortalecer clínicas de reabilitação de forma a acolher os pacientes com tratamento personalizado e duradouro, investir em arteterapia a fim de tratar a memória, cognição e coordenação motora. Por fim, os Centros de Assistência Social devem atuar na terapia familiar e formar grupos de terapia com dependentes que, a partir da vivência pessoal formam-se medidas coletivas.