Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 16/10/2018

A dependência química é uma questão social, entretanto, o usuário é colocado em uma condição de único responsável por seu vício, o que diverge diretamente da premissa que assegura a dependência como um problema de saúde pública. Vale ressaltar que a droga não escolhe raça, gênero ou classe econômica e, além disso, no Brasil, o comércio de drogas – tanto legal como ilegal – é extremamente lucrativo. É necessário, então, que seja feita uma análise desde o consumo até os meios de tratamento dos dependentes químicos.

A priori, é fundamental entender a lógica básica desse comércio que movimenta bilhões de reais todos os anos. A prova do bem sucedido negócio é a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), figurar como a empresa mais valiosa da América Latina e, paralelamente, as especulações de faturamento do tráfico de drogas giram em torno de valores estratosféricos. Nesse viés, é em cima da prevenção ao consumo que as políticas públicas devem atuar.

Por outro lado, o tratamento dos dependentes deve ser bem cauteloso, estruturado e sério. No caso da estrutura de internação voluntária, o ambiente deve ser acolhedor e, sobretudo, com um mecanismo natural de tratamento – como o Hotel Laide em São Paulo, uma ONG voluntária que auxiliava dependentes em recuperação e, ao que tudo indica, foi vítima de um incêndio criminoso. Já na internação orientada, especialistas recomendam determinado rigor durante o tratamento, visto que, muitos doentes estão impossibilitados de tomar decisões e oferecem riscos à sociedade.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessária uma intervenção sobre o tema. Desse modo, a doença de muitos cidadãos irá aumentar o lucro cada vez maior das empresas, caso nada seja feito em relação ao consumo e tratamento. Cabe, então, ao Ministério da Saúde (MS), em parceria com os governos estaduais, a promoção de ações afirmativas eficazes para a solução da problemática. Dessa maneira, o MS deve selecionar uma equipe para a criação de conselhos estaduais que formulem medidas preventivas contra o consumo de drogas e que estabeleça critérios para o tratamento químico, assim como, fica a cargo dos governos estaduais destinar recursos para a construção de unidades físicas para internar pacientes.