Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 22/10/2018
O desafio para o tratamento de dependentes químicos é um problema afincado na sociedade brasileira. Isso deve ser enfrentado, uma vez que, ano a ano, mais pessoas são vítimas dessa questão. Neste sentido, dois aspectos tornam-se relevantes: os preceitos da cultura e moralidade vigentes e as defasadas políticas públicas de saúde, que fazem da escola, família e governo agentes preponderantes para a transposição das barreiras presentes.
Em primeira análise, ainda impera no pensamento coletivo nacional a relação entre falta de caráter e dependência química. No entanto, de acordo com a definição da OMS “dependência química é uma doença crônica e progressiva” – que se enquadra dentro dos transtornos mentais -, e para ser tratada, efetivamente, deve ser reconhecida como tal, tanto pela sociedade quanto pela família do enfermo. Assim sendo, intervenções socioculturais são imprescindíveis para desconstruírem esse estigma. Além disso, os baixos investimentos orçamentários do governo destinados para a resolução do problema culminam na sua persistência e ineficiência. Conforme estudo realizado pela Unesp, em 2015, o SUS gasta, anualmente, quatro vezes menos do que países eficientes nessa questão, como, por exemplo, os Estados Unidos. Tal conduta faz dos tratamentos hoje realizados, pelas poucas instituições brasileiras, generalistas e sem pretensão de continuidade e acompanhamento dos assistidos, corroborando para a crescente nos índices de reincidência.
Portanto, medidas se fazem necessárias. Sob a máxima de Kant, “o homem é o que a educação faz dele”, cabe ao MEC desenvolver um projeto para ser aplicado nas escolas – aberto a comunidade local e a família - que vise elucidar o problema, através de palestras com profissionais da área da saúde, a fim de desconstruir o preconceito e conscientizar as pessoas. Ao governo, cabe ampliar os recursos do SUS para serem aplicados tanto em políticas de prevenção quanto em melhores conduções de tratamento, visando amparar o dependente durante e depois do tratamento. Dessa forma, será possível transgredir uma barreira tão evidente na saúde do país.