Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 17/10/2018

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível a coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações que dificultam o tratamento as comunidades terapêuticas, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve sobretudo, aos ínfimos investimentos destinados pelo governo, além da difícil integração dos indivíduos na sociedade. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Nesse ínterim, denota-se que o País convive com uma rede de terapia para os dependentes químicos considerada pequena e precária, haja vista os centros de apoio não atenderem a demanda desse público, bem como sofrer com a falta de profissionais como médicos e psicólogos. Essa situação abjeta relaciona-se a negligência do Poder Público em aplicar os recursos financeiros nessas repartições, tendo em conta o Ministério Público denunciar o fechamento de 14 clínicas em São Paulo, a julgar pelas péssimas condições de higiene e maus-tratos a população.

Outrossim, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a presença da modernidade líquida se dá a partir da fluidez nas relações sociais do cotidiano. Segundo essa premissa, ressalta-se que a existência massiva de famílias desorganizadas, como também a discriminação por parte da sociedade está sensivelmente ligada aos casos de submissão as drogas. Esse impasse possibilita-se por insuficientes diálogos no ambiente intrafamiliar e a escassez do esclarecimento sobre o tema em voga nas escolas, a considerar a inexistência, mormente, de especialistas que direcionem a comunidade. Por certo a tais fatos, a Fundação Perseu Abramo, comprovou que o preconceito contra os usuários de entorpecentes é o segundo mais praticado, o que demonstra um desafio para socialização e superação desse dilema.

Urge, portanto, que, diante dos desafios vinculados a dependência química, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Poder Público, em sinergia com o Ministério da Saúde, por meio de emendas constituintes, direcionar recursos financeiros para a assistência médica e psicossocial dos usuários, com a ampliação e interiorização dos centros de reabilitação contendo profissionais capacitados, além de monitorar a infraestrutura dessas instituições, com o escopo de garantir o tratamento digno. Ademais, compete à escola, juntamente com a família, realizar conferências educativas sobre tal temática, por intermédio de mesas redondas, com o intuito de promover a aceitação e a tolerância. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será alcançada.