Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 19/10/2018
A obra literária “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, do autor Mário de Andrade, retrata de forma fantástica e virtuosa traços marcados do alicerce cultural brasileiro. Entretanto, valores como a empatia e o comprometimento com o bem estar social - governamentalmente - parecem não estarem relacionados as tais características habituais tupiniquins. Pois, a cada dia cresce o número de dependentes químicos que vivem à margem da sociedade, ofuscados e negligenciados por um senso comum egocêntrico e um Poder Público letárgico.
Em primeira instância, o atual âmbito ético precário da sociedade civil coloca em cheque as chances de tratamento para os dependentes químicos, pois é necessário a participação de um mediador no processo. Então, com os civitas alienados e em busca de objetivos obtusos, não cria-se em meio dos mesmos o tal mediador, o “agente social” responsável por mobilizar seu semelhantes em prol de um bem maior. Ao caírem no esquecimento profundo, os dependentes químicos provam do lado obscuro da tese aristotélica, de que o ser torna-se naquilo a que constantemente é submetido, e acabam marginalizados.
Posteriormente, a taciturnidade governamental diante um problema de saúde pública, como a dependência química, é algo que tange práticas malthusianas. Mesmo com alto número de usuários de entorpecentes, o governo federal insiste em não desenvolver um planejamento social que vise a reeducação física e mental destes pobres usuários que vivem dia e noite sob o relento. Nessa circunstância, o pensamento do chanceler alemão Bismarck, de que a política é a arte do possível, adquire “status” de obsolescência, pois mesmo que seja mais caro que a coroa inglesa, o Poder Público brasileiro mantêm-se ineficiente.
Dessa forma, é evidente que medidas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, a sociedade civil deve ser conscientizada por meio de publicidades, tais financiadas pelo Ministério da Saúde, explanadas por vias midiáticas da internet e TV, que visem persuadirem os civistas à realizarem doações financeiras a determinadas ONG´s que realizam o trabalho de ressocialização voluntariamente, para assim viabilizar chances claras de eficácia para as mesmas. Além disso, o Ministério Público, juntamente com o Ministério da Saúde, deve desenvolver um planejamento em parceria com profissionais das ciências sociais, que vise a alocação e tratamento psicológico dos dependentes químicos e, no abrigo disponibilizado aos mesmos, devem ser realizadas palestras de personalidades que enfrentaram o mesmo problema, como o ex-atleta “Casagrande”. Com medidas assim em ação, será possível oferecer dignidade à esses cidadãos ofuscados.