Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 19/10/2018

O Brasil não tem povo, tem público. Essa frase, do poeta Lima Barreto, sintetiza o seu sentimento em relação à complacência da sociedade brasileira em função da falta de políticas públicas a favor das minorias durante a primeira República. Hodiernamente, o panorama brasileiro ainda se encaixa nesse contexto, embora existam vários canais de assistência e programas sociais, os dependentes químicos enfrentam uma verdadeira batalha para conseguirem se livrar das drogas. Nesse sentido, é condizente que essa situação deve ser melhor analisada, visto que as causas do problema representam um grande óbice para a efetividade das medidas profiláticas no que tange ao tratamento dessas pessoas.

A primeira análise, observa-se que o dependente químico, às vezes, tem interesse em ser tratado, mas, devido às péssimas condições de infraestrutura da saúde pública, não consegue o recurso terapêutico adequado para sua cura. De acordo com SUS, faltam leitos, medicamentos e funcionários que atendam ao número crescente dos casos de dependência química, posto que os gastos públicos, na maioria dos casos, ultrapassam o planejamento feito pela LOA - lei orçamentária anual - que se mostra ineficaz para o tratamento desses dependentes. Segundo Platão, autor clássico da filosofia, “aprender é mudar posturas”, entretanto, as ações perpetradas contra esse empecilho permanecem no erro. Por certo, é inadimissível que esse impasse continue vilipendiando a cidadania desses doentes.

A segunda análise, percebe-se a existência de uma correlação entre a ineficiência do estado e a falta de investimento na saúde pública, pois, segundo alguns políticos, a legalização das drogas diminuiria os gastos com o combate ao tráfico e, consequentemente, o orçamento da segurança pública seria repassado à Saúde.  Segundo a rede BBC Brasil, a Holanda, país, usualmente, usado para defender esse tipo de argumentação legalista, publicou uma notícia em que a polícia holandesa afirma que o país se tornou um “narcoestado” - termo designado para bases estratégicas do tráfico de drogas - afetando diretamente as políticas públicas de prevenção e controle. Seguramente, pode-se afirmar que liberar drogas para a população é uma ação impensável quando se fala em tratamento da dependência.

Em síntese, diante dos fatos expostos, depreende-se que são necessárias medidas menos protelativas no combate a carência no tratamento de dependentes químicos. Então, dessa forma, cabe ao Poder Executivo criar planejamentos eficientes por meio dos dados IBGE, juntamente, com o axílio de economistas, estatísticos e matemáticos, ao mesmo tempo, que haja mais contratações de profissionais da saúde e construções de Hospitais, para que o viciado químico possa ser recuperado e reinserido na sociedade. Por certo, deve-se chegar a esse consenso para que as palavras de Lima Barreto deixem de fazer sentido nos dias atuais quando se tratar de indiferença.