Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 20/10/2018
A série norte americana “Narcos”, explora uma temática bastante discutida no cenário hodierno: a questão dos dependentes químicos. Na obra o protagonista é responsável pela disseminação da cocaína por grande parte das Américas, aumentando assim o número de usuários. Mesmo com política de prevenções e centro de recuperação, mais de oito milhões de brasileiros são consumidores de maconha, cocaína ou álcool, segundo dados publicados pelo G1. Logo é notório uma deficiência no sistema de tratamento para essas pessoas e dois aspectos fazem-se relevantes para tal problemática: o baixo investimento governamental nas clinicas de reabilitação e o julgamento social.
É irrefutável notar, que o foco do governo está mais voltado para a “guerra às drogas” do que para os centros de recuperação dos usuários. Notícias publicadas pela revista Exame informam que o aumento nos gastos com a saúde pública poderia ser facilmente coberto pela verba economizada com o fim do combate ao tráfico ostensivo. Todavia, ainda não se tem uma ação por parte dos parlamentares, visto que há uma precarização no viés quantitativo, com falta de profissionais, espaço e medicamentos, assim como qualitativo, com pesquisas e qualidade dos prontos de atendimento. Todos esses fatores somados corroboram para o decremento de resultados positivos.
Além disso, cabe analisar, que o julgamento e descaso social dificultam a reinserção desses indivíduos na comunidade. Parafraseando o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade é como um corpo, onde o meio em que vivemos explica nosso comportamento. Porém, as pessoas ignoram essa perspectiva e isolam os viciados, como se possuíssem alguma doença contagiosa, julgando-os como ociosos, destinando sempre palavras de baixo calão, ou até mesmo, como “ausentes da presença de Deus”. Consequentemente, há uma menor busca e incentivo por tratamento, o que leva a uma ineficiência da atividade.
Urge, portanto, que subterfúgios devem ser tomados. Cabe ao Governo Federal destinar uma maior quantia para o tratamento dos dependentes químicos, investido em uma estrutura de qualidade, compra de medicamentos, capacitação dos profissionais e pesquisas para agilizar o recurso terapêutico, para que mais pessoas sejam atendidas e as estatísticas sejam reduzidas. Ademais, compete ao Ministério da Saúde liberar podcast nas redes sociais e comerciais nos meios televisivos, centro de maior obtenção de informação dos brasileiros, com o fito de aumentar a conscientização populacional e informações para aqueles que buscam por melhoria na qualidade de vida. Somente assim, poder-se-á mudar a realidade atual.