Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 22/10/2018

Seja devido ao consumo de cigarros e bebidas alcoólicas- historicamente incentivados, ou ao uso de entorpecentes sintéticos -cuja produção foi possibilitada devido ao avanço da indústria- a dependência química é uma realidade brasileira a qual necessita de mudanças, tanto no âmbito de tratamento de usuários, quanto nas medidas preventivas.

Diversos são os motivos os quais seduzem novos usuários: a fim de esquecerem a tensão familiar ou os abusos sofridos dentro de casa, muitos buscam refúgio no consumo de drogas como crack… Além disso, tal é a imagem historicamente criada e socialmente aceita, de que tanto o cigarro quanto a bebi-da alcoólica representam maioridade e liberdade, que muitos jovens, em busca desse disfarce irresis-tível, passam a fazer o consumo regular dessas substâncias. Um dos principais desafios para o trata-mento desses usuários é o medo, uma vez que ainda há uma visão negativa da sociedade com relação ao tratamento, prevalecendo a ideia de ambientes hostis e abusivos, os quais se baseiam em medica-mentos e sedativos. Tal noção difere da realidade dos centros de tratamento e assusta aqueles em bus-ca de ajuda. Além disso, muitos usuários vêm de uma situação socioeconômica problemática -e, por culpa ou vergonha, não desejam se tornarem mais um fardo para seus responsáveis.

Tratar não se resume apenas a retirar o dependente da rua ou ao processo desintoxicação, é necessário que haja reabilitação médica, legal e trabalhista. Desse modo, com a finalidade de assegurar o tratamento completo dos usuários, é necessário que ocorra uma revolução na política adotada. A exemplo do “Caminho de Frankfurt” - que acabou com o maior ponto de uso de drogas a céu aberto da Alemanha- a percepção do vício como uma doença possibilita a descriminalização do dependente químico -o qual já é algemado por sua própria consciência. Com isso, as ações policiais passam a ser direcionadas a combater o tráfico, e não mais usuário. Além disso, medidas de saúde pública- concentradas em oferecer não só acesso fácil e moradia, mas também possibilidades de tratamento e reinclusão social- também são essenciais para a efetivação dessa política revolucionária a qual possui, em suma, como base a abordagem da inclusão e da descriminalização de dependentes.

Somado a isso, vale ressaltar que há uma falha na orientação e prevenção do consumo. Ainda há uma parcela considerável de escolas que não adotam programas socioeducativos, a exemplo do PROERD -o qual, apesar de ser uma medida considerável, não pode ser considerado totalmente efe-tivo, uma vez que não sensibiliza a população. Uma forma de tornar a prevenção mais efetiva e abran-gente seria promover uma parceria entre o PROERD e projetos como o ESD (escola sem droga), o qual conta com o sensibilizador depoimento da ex-dependente Laila Maffra.