Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 22/10/2018
De forma explícita, o empreendedor Steve Jobs afirmou em sua biografia que o uso de drogas na adolescência contribuiu para algumas de suas ideias na área da tecnologia. Diferente desse cenário biográfico, porém, os desafios existentes no tratamento de dependentes químicos tem comprometido a eficiência da recuperação e a posterior participação dessas pessoas no tecido social. Nesse contexto, deve-se analisar a importância do emprego e dos apoios secundários na problemática em questão.
A princípio, convém destacar que o assunto tratado é impulsionado pela falta de estabilidade na vida do ex-dependente. Tal fato ocorre quando o paciente é desligado das clínicas de reabilitação sem nenhuma oportunidade de emprego. Com efeito, a falta de uma atividade laboral, em uma sociedade onde a própria identidade é, como atestado pelo sociólogo Émile Durkheim, definida pela ocupação desempenhada, faz com que muitos retornem às drogas. Portanto, medidas que revertam o arquétipo vigente e busquem incluir os indivíduos no mercado de trabalho precisam ser implementadas.
Atrelada a essa questão pilar, é notório que a dependência química é estimulada por elementos que não são enfrentados nos atuais critérios de recuperação. Isso ocorre porque, muitas vezes, problemas de ordem familiar, psicológica ou até mesmo econômica passam despercebidos pelo enfoque exclusivamente clínico. Inegavelmente, a regressão da pessoa tratada pela ortodoxia desses meios ocorre de forma imediata em um panorama social onde os subterfúgios para os problemas são, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, constantemente perseguidos. Logo, uma atuação mais abrangente na vida da pessoa tratada deve ser considerada.
Diante dos argumentos supracitados, faz-se necessário que o governo ofereça um meio de inserção no mercado de trabalho para o ex-dependente, abrindo, mediante o Ministério da Educação, editais com vagas exclusivas para esse público em cursos técnicos de instituições como o SENAI, ao mesmo tempo que estimula, com a redução de tributos, as empresas privadas a ofertarem estágios remunerados com o fito de combater o retorno ao vício pelo falta de amparo financeiro. Outrossim, as ONGs e clínicas de recuperação devem disponibilizar um tratamento mais amplo, com a participação de psicólogos e advogados com o propósito de solucionar as questões pessoas do indivíduo. Assim, os desafios serão enfrentados e a vitória sobre o vício será, para muitos, um item biográfico.